segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Pai

Ontem foi dia determinado pelo comércio para ser o dia dos pais. Acho muito justo que se tenha uma data fixada para comemorar e ganhar presentes. Justo para a economia.

Agora sou pai. Me acho pai. Tento me comportar como pai. Não sei se estou indo bem. O Guillermo tem só 5 meses e não me deu nenhum feedback. A não ser alguns sorrisos e choros. Acho que por enquanto essa é a uma das duas formas de comunicação que eu entendo. Ele sorri quando esta satisfeito e chora quando quer alguma coisa. Acho que ele sorri mais que chora. Não devo estar indo tão mal.

Assim como alguns filhos só lembram que tem pais nesta data programada, alguns pais por sua vez só lembram que tem filhos neste dia de ganhar presentes. Ou no dia de pagar a pensão.

Estou tentando ser um pai presente. Um pai participativo. Ser pai não é exatamente uma coisa que eu queria. Eu queria ser mochileiro. Estou fazendo o que posso para estar presente. Faço o possível para estar junto. Deixo de fazer outras coisas para brincar com o bebê. Me importo. Me preocupo. Tento ensinar. Não sei quando devo fazer cada coisa. Não sei a medida de cada coisa que precisa ser feita.

Fico bem preocupado com o futuro do Guillermo. Não sei se tudo o que é feito e tudo o que vai ser feito será a coisa certa a ser feita. Não sei se ele será uma criança chata. Não sei se ele será uma criança mal criada. Não sei se será inteligente. Fico preocupado se ele não terá uma doença grave e sem cura. Fico preocupado se ele não vai sofrer um acidente e ter sequelas.

Fico feliz quando ele sorri. Fico contente quando ele faz alguma coisa que tento ensinar. Fico emocionado quando ele me encara de forma fraternal. Quando ele me encara sinto um peso enorme da responsabilidade. Aquele olhar parece dizer que tudo o que ele for no futuro é reflexo daquilo que sou hoje com ele.

Ser pai deve ser isso mesmo. Sentir o peso da responsabilidade.

sábado, 25 de março de 2017

Nesceu chorando no Moinhos de Vento

Meu último texto foi em início de fevereiro. Incrível como a vida acontece tão rapidamente. De fevereiro pra cá algumas coisas interessantes aconteceram. Nasceu o Guillermo! Retornei a atividades escoteiras, passei pelo contrato de experiência no meu novo trabalho. Tudo indo muito bem.

Guillermo nasceu no hospital Moinhos de Vento no dia 02 de março por volta das 19 horas de cesariana. Eu acompanhei todo o processo. As coisas tem sido bastante intensas nesses primeiros dias de paternidade. Confesso que ainda me sinto incomodado com o novo habitante da casa. Os choros incomodam, a falta de horário para comer, cagar e essas poucas coisas que fazem um bebê ainda me desorientam. Ele esta com saúde e parece que eu e a Aline estamos tendo sucesso nesse projeto.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Mudando ares

Então já se passaram várias semanas e muitas coisas aconteceram.
Resolvi trocar de trabalho.
Já não estava motivado para realizar minhas atividades.
Desde final de dezembro estou em um novo desafio. Uma mudança radical.

"Não é sobre tudo que o seu dinheiro
É capaz de comprar
E sim sobre cada momento
Sorriso a se compartilhar
Também não é sobre correr
Contra o tempo pra ter sempre mais Porque quando menos se espera
A vida já ficou pra trás"

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Passou e tu não viu



Não existe mais ninguém que lembre do aniversário de alguém sem as redes sociais.

Assim como já ocorre a 37 anos, no dia 5 de novembro, sábado, foi meu aniversário. Antecipadamente eu havia retirado a visualização e o aviso da data na minha página no Facebook. Resultado: recebi raríssimas felicitações. Por telefone foram somente meus pais. Por WhatsApp recebi de algumas pessoas que viram no Skype ou no LinkedIn. Não dá para encher uma mão as felicitações espontâneas que recebi.

Não fiz nenhum tipo de festinha. Seja churrasco, janta, almoço ou qualquer tipo de celebração com convidados. Resultado: sem presentes. Somente da esposa. Algo útil e que eu estava precisando.

Minha conclusão: vivemos uma falsa ilusão de que redes sociais podem aproximar pessoas. Somos incentivados pela própria rede a uma aproximação. Sem esse empurrãozinho quem lembra de alguém? Quantas felicitações sinceras recebemos sem a rede social? No meu caso, menos de cinco.

Realmente não sou muito adepto de grandes comemorações de aniversário. Nesta data, já que não fui muito requisitado, aproveitei para tirar um dia sabático. Sem ligar computador, da cama para o sofá e de volta para a cama. Comprei um jornal de papel (fazia tempo que não comprava um jornal), assisti a coisas legais na TV, procurei não atrair problemas, procurei evitar a fadiga. De repente, o dia do meu aniversário acabou. Assim, sem grande aviso, sem evento no Facebook. Sem ser trend topic.

Necessário, somente o necessário. O extraordinário é demais.

sábado, 15 de outubro de 2016

Atendimento Master?

Este é mais um relato de serviço mal realizado de uma central de atendimento telefonico.

Estava em casa no sábado, final de tarde, sem ter nada de legal para fazer. Fui buscar as correspondências. Dentre os inúmeros panfletos de propaganda uma carta de cobrança do banco Santander. Já é o segundo mês que recebo tal correspondência. Não tenho cartão de crédito Santander. Já tive, venceu a validade, não tive interesse em renovar. Quando venceu o antigo, entrei em contato, comuniquei que não tinha interesse em ter um novo e o atendente me disse que "tudo bem". Nunca recebi um cartão novo. Nunca me preocupei com isso. Não sei de dívidas do antigo cartão.

Então recebo pelo segundo mês uma carta de cobrança com informações para que eu entrasse em contato com a central.
Entrei em contato. Opção 3, informa CPF, opção 3 novamente, aguarda. Alguém atende. Pede nome e data de nascimento. Informo. Pede o número do cartão. Informo que não tenho cartão e conto pela 1° vez a história que originou a ligação, falo que estão cobrando uma dívida que não fiz de um cartão que não tenho. O atendente 1 diz que nesse caso ele não pode me ajudar. Que só pode negociar o pagamento comigo e que não tem informações sobre a dívida ou sobre o cartão. Só tem o valor para ser cobrado. Me fornece um número para que eu entre em contato com outra central.

Entro em contato com a outra central através do número que o atendente me deu. Uma gravação informa que aquele não é um número correto e que devo ligar para outro.

Ligo para o terceiro número. Informo CPF, opção sei lá e outra opção não sei qual. Sou atendido pelo atendente 2. Pede nome e data de nascimento. Explico pela 2° vez tudo que já havia explicado para o atendente 1. Ele escuta atentamente e diz que preciso falar com outra central. Diz que vai passar a ligação e antes que eu possa argumentar alguma coisa já estou escutando uma musiquinha chata. Sou atendido pela atendente 3. Novamente preciso informar nome e data de nascimento. Esta pede também o CPF. Explico tudo pela 3° vez. Ela pede para aguardar e antes que eu possa dizer alguma coisa já estou sozinho na ligação. Após alguns minutos a ligação cai.

Ligo novamente para aquele terceiro número. Informo CPF, opção não sei qual e outra opção sei lá. Sou atendido pelo atendente 4. Pede nome e data de nascimento. Explico pela 4° vez tudo que já havia explicado para o atendente 1, 2 e 3. Ele também escuta atentamente e também diz que preciso falar com outra central. Passa a ligação e sem que eu possa argumentar alguma coisa estou num silêncio de passagem de ligação. Já estou irritado.

Sou atendido pela atendente 5. Novamente me é solicitado nome, data de nascimento e CPF. Resisto em fornecer novamente as informações. Estou sem paciência. Não adianta, sou obrigado a fornecer os dados. Sem eles não é possível visualizar meu cadastro. Contrariado forneço. Explico tudo pela 4° vez. A explicação é cada vez mais aflita e nervosa. Ele pede para aguardar. Retorna e me diz que no caso em questão devo me dirigir a alguma agencia e falar com o gerente

Update
Fui na agência. Falei com uma gerente. Expliquei tudo mais uma vez. A gerente verificou a situação no computador. Concluiu que era uma anuidade de uma cartão que eu não desbloqueei e não usei.  Disse que não poderia fazer mais nada. Me indicou um numero para ligar.

Liguei da agência mesmo. Fui atendido pela atendente 6 (sem contar a gerente). Novamente me é solicitado nome, data de nascimento e CPF. Informo tudo direitinho. Explico tudo pela 6° vez (contei a vez que expliquei para a gerente como a 5º). Ele pede para aguardar. Aguardo. Sou passado para outra área de atendimento. Outro atendente (o numero 7) escuta tudo o que eu tenho para falar. Após minha explicação diz que no caso em questão devo me dirigir a alguma agencia e falar com o gerente.

Fui embora.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Eleições 2016



Uma eleição sem calor. Sem grandes e aprofundadas discussões. Uma eleição que pareceu ser apenas protocolar. Com a drástica redução do tempo de exposição dos candidatos na televisão e rádio, a proibição de doações de pessoa jurídica e a restrição de propaganda na rua, com menos banners e ausência de cavaletes, a campanha pouco lembrava a de outros tempos.

Se por um lado considero que os eleitores foram os grandes beneficiados, o candidato precisava partir para o corpo a corpo para se tornar conhecido, por outro também vejo essa falta de exposição pode ter prejudicado boas propostas sem condições financeiras de maior exposição. Aqueles que tinham a maior coligação conseguiu maior arrecadação e maior tempo de mídia. Os com menos tempo de TV não tiveram tempo para mostrar o que queriam fazer. Dessa forma, as velhas propostas, de rostos já conhecidos e familiares ganharam destaque. Difícil emplacar um nome novo.

Da mesma forma, o resultado das operações policiais fez com que os partidos de esquerda que sempre pregaram ser os mais honestos do universo e que acabariam com práticas da velha política, fossem retirados do poder. A esquerda teve uma grande rejeição na eleição.

Surgiram novas lideranças, muitas oriundas do meio empresarial. Pessoas de gestão sem ligação com a política. Partidos liberais começaram a aparecer. Coisa impensada tempos atrás com o domínio de partidos sociais democratas, socialista e comunistas.

No entanto essa eleição não foi fácil para os políticos. Redução da exposição e de verbas não agradaram a velha política. Fica o receio de que algo deve ser feito para o retorno das antigas regras.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A violência é tão fascinante



Também tenho minha tese sobre a (in)segurança de todo dia vivida pelo moradores de Porto Alegre. Vamos a ela.
Não acho que a segurança esta muito pior do que já foi no passado. Acredito que hoje com Facebook, WhatsApp, Instagram, Snapchat e todas essas tecnologias a divulgação de crimes é muito maior. Depois de acontecer um crime é só questão de tempo para as fotos chegarem no seu celular. Mesmo que você não queira, acabará tendo algum contato com a violência.
Quem não lembra do filme “Cidade de Deus” onde Zé Pequeno queria ter seus feitos divulgados no jornal para alimentar seu ego e se orgulhar de seus crimes. É isso que acredito que vem acontecendo hoje. Os marginais fazem coisas cada vez piores para ter seus feitos divulgados nas mais diversas mídias.
Aliado a isso, temos os formadores de opinião que defendem que a polícia não deve ser truculenta ou violenta. Hoje a polícia não é temida. Ela não usa capacete para estar pronta para o combate. A polícia só reage. Não pode agir. Se agir será julgada e condenada imediatamente. Isso encoraja os bandidos. Encoraja também a justiça a tomar decisões que acabam por favorecer a impunidade. Nossas leis precisam ser revisadas.
O ponto que considero mais grave foi a retirada do direito a se proteger. Hoje não é permitido ao cidadão, caso acho necessário, se armar para se proteger. Não acho que todo mundo deveria andar armado. Mas os bandidos precisariam ter a dúvida. Hoje se sabe que ninguém de bem anda armado. Os marginais não precisam tomar cuidado. Eles não precisam temer uma reação. Já saímos as ruas em desvantagem.
Precisamos pensar com seriedade sobre a iniciativa privada atuar na construção e gerenciamento de presídios. O Estado não consegue mais cumprir com essa demanda. A população precisa pensar seriamente nisso.
Sobre os projetos sociais, estes precisam ser revistos. Me parece que são interessantes os projetos, mas a forma de manter a população integrada a eles não é a adequada. Para continuar participando de programas sociais a pessoa precisa se manter com a renda formal baixa ou inexistente. A pessoa precisa complementar essa renda de alguma forma pois o valor repassado pelo projeto social é baixo. Onde ele pode complementar a renda informalmente? No crime.
Por último, mas não menos importante, temos diferentes pesos para os mesmos crimes. Se uma morte acontece em uma vila da cidade ela não tem o mesmo destaque daquela que acontece em um bairro com renda per capita maior. Talvez a vida perdida na vila “ruim” tenha menos importância que a vida perdida no bairro “bom”.