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Quinta-feira, 13 de Março de 2008

|Lotado|

Incrível como tem dias em que não deveríamos sair de ônibus. Ontem foi um dia desses. Logo cedo o ônibus que eu estava ficou preso em um congestionamento. Os carros da avenida não se moviam. Logo descobrimos o motivo da confusão, um motoqueiro estava estendido no chão, junto aos pneus de outro coletivo. Ainda bem que não era o meu! Motoqueiro no asfalto já é quase banal, só dá notícia no Diário Gaúcho, o jornal da maioria...

No final da tarde, quando saí do trabalho, peguei o ônibus que deve ter batido o recorde de número de pessoas por m². Que ônibus mais cheio! Não via a hora de descer logo dele para me deliciar em um outro ônibus com uma lotação normal e cumprir meu trajeto de retorno ao lar. Era tanta gente neste ônibus que acho que ele ficou quase dez minutos parado até que todos os interessados em desembarcar conseguissem se organizar e chegar até a porta. Como a gente perde tempo dentro de ônibus...

Consegui descer e estava me dirigindo para a outra parada quando repentinamente surge o ônibus que eu queria pegar, vaziuzinho da Silva. Corri e é óbvio que não consegui alcançar o ônibus. Tive que ficar na parada esperando o próximo. O bom é que pude descansar bastante da minha tentativa frustrada pois o próximo ônibus só apareceu depois de uns 20 minutos. Cheio é claro. Então lá fui eu ficar espremido no corredor do meio do coletivo. Braços pra cima, pendurado no corrimão. Mal tinha espaço para colocar um pé no chão, quem dirá os dois.

Finalmente cheguei ao meu destino, sã, salvo e fedorento. O trajeto da minha casa até o trabalho feito por transporte coletivo demora uma hora e quarenta minutos. O mesmo trajeto de carro é feito em 20 minutos... mas não daria um post...

Antes do fim:
É como se eu estivesse em BH
Pegando um balaio lá pra casa
Do paulinho pra mais um ensaio
Da Savassi pra Pampulha
Com um trânsito danado
Na Avenida Catalão
É como se eu tivesse em Salvador
Num calor retado no buzu de Piripiri
Como se eu tivesse em Porto Alegre
Pegando um baita frio
Dentro de um bus pro Nonoai
Como se eu tivesse em São Paulo
E tivesse que ir de bumba
de Carapicuíba a Itaquaquecetuba
Ficando só de pé
Ou enquadrando a bunda
Desesperado pra chegar

Ônibusfobia – Jota Quest

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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007

|Naquele tempo do Julinho|

Teve aquela vez da viagem de final de ano do colégio. Passamos o ano inteiro discutindo onde seria ser a nossa viagem de Formatura no segundo grau. Programamos os lugares mais bacanas possíveis. Começamos com o sonho de consumo de grande parte dos formandos na época: a Ilha do Mel. Todo mundo mobilizado, vendendo rifa, pesquisando ônibus, agência de turismo, tudo certo. O dinheiro não deu.

Plano B.
Surgiram diversas alternativas de viagem para vários outros lugares. Não seria a mesma coisa, o pessoal já não estava com tanta vontade. A turma se desmobilizou, não queria mais fazer a viagem de final de ano. A formatura ficaria só pela cerimônia mesmo, sem grandes atividades.

A solução
Vamos ver quem esta querendo mesmo, juntamos um dinheiro e alugamos uma casa. Certo! Onde? Em Mariluz, uma prainha perto de Imbé. Pra quem ia passar o final de semana na Ilha do Mel, Mariluz esta de bom tamanho.

Acabamos indo em uma meia dúzia de colegas mais legais para uma casa simples em Mariluz. Choveu, a casa alagou, mas foi um dos finais de semana mais legais da minha adolescência. Até hoje lembro.

Turminha boa que se separou. Nunca mais conseguimos nos reunir. Nem bem nos falamos mais...

Antes do fim:

Carro e Grana - Leoni

Houve um tempo em que tudo girava ao meu redor
Dos meus desejos e vontades
E todo mundo ria de tudo que eu dizia
E eu dizia um monte de bobagens
Eu achava que tinha de tudo para sempre
Que eu tinha amigos de verdade
Mas a verdade sempre vem bater à porta
A gente tenha ou não vontade

Já tive carro e grana
E um monte de convites pra qualquer lugar
Hoje eu só ando a pé
Mas eu continuo a andar

E aquelas pessoas que andavam ao meu redor
Hoje escolheram uma menina
Que por enquanto acredita em tudo que eles dizem
É a mesma história toda vida
O que eu sei eu sei que ela só vai descobrir
Quando ela sair de moda
Um tropeço ensina mais do que o sucesso
E é tudo bem mais claro agora

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Quinta-feira, 3 de Maio de 2007

|Rodeio|

Existem poucos programas que eu não gosto. Não tenho nada contra o tradicionalismo gaúcho, inclusive aprecio a valorização que o gaúcho dá as tradições.

No último final de semana, visitei o Rodeio de Viamão com todos os seu ginetes e cavalos. Que coisa mais horrível. Muitas pessoas bebendo, muitas pessoas sujas, muitos cavalos andando entre as pessoas, muitas pessoas andando em meio a cavalos. Tudo misturado e com muita poeira em volta. Muita poeira.

Vários stands vendendo desde botas de gaúcho até pinhão cozido. Muita cerveja e cachaça, muitos bêbados em volta destes barzinhos. Tudo no meio da poeira. Uma sujeira só. Fora o cheiro de excrementos de cavalo. Não tem como ficar livre disso, por onde se anda, o mau odor acompanha.

E o som do rodeio! É uma mistura de narrador de rodeio com um locutor de rádio que só fala dos patrocinadores, os dois ao mesmo tempo, junto com a poeira, o mau cheiro e os cavalos em meio as pessoas. Aliás, nem só de poeira sofre o visitante do rodeio. Onde não tem poeira tem barro. Muito barro.

Os gaúchos, trajados a rigor, com roupas não condizentes com o calor que fazia no final de semana, até que combinavam com o ambiente. Mas as mulheres, com grandes saltos, umbigos de fora, calças colantes, baton vermelho e chapéus de aba larga, estavam prontas para ir à algum outro lugar diferente daquela nuvem de poeira. Fora que não ser raro avistar espécies femininas empunhando e inclinando garrafas de cerveja diretamente na boca, em gestos nada elegantes para mulheres tão bonitas que desfilavam entre os cavalos.

Não vou comentar da maldade feita com os animais para simples divertimento das pessoas que ali estavam.

Antes do fim:
Tem podcast novo no http://www.coisasurbanas.podomatic.com/ entra lá e escuta um pouco dos novos discos do Ira! e do Lobão Acústico.


Antes do fim 2:
Eu e a Aline passamos o feriado de Páscoa em Canela com um roteiro um pouco diferente do óbvio Cascata do Caracol. Inclusive nem chegamos perto. Segue lista com alguns dos pontos turísticos visitados em cada cidade que paramos:
Nova Petrópolis: Labirinto Verde
Canela: Passo do Inferno e Parque do SESI (local da hospedagem)
Gramado: Cachorro quente com queijo derretido próximo a Rua Coberta
Três Coroas: Centro Budista (é melhor ir pela estrada de Taquara)

Segunda-feira, 2 de Abril de 2007

|Voltem ao Ponto de Reunião|



Prezados Escoteiros,

Se porventura vocês tiverem visto a peça "Peter Pan", deverão estar lembrados de que o chefe-pirata estava sempre fazendo o seu "discurso de moribundo", porque receava que, possivelmente, quando chegasse a hora de ele morrer, não tivesse mais tempo para dizer tais coisas.

Acontece quase a mesma coisa comigo e, assim, e embora neste momento eu não esteja morrendo - qualquer dia destes eu morrerei - , quero enviar a vocês uma palavra de despedida.

Lembrem-se de que será a última vez que vocês ouvirão minhas palavras. Portanto, pensem bem nelas. Eu tenho tido uma vida muito feliz e quero que cada um de vocês também tenha uma vida feliz.

Acredito que Deus nos colocou neste mundo alegre para que sejamos felizes e para gozarmos a vida. A felicidade não provém do fato de ser rico, nem meramente de ter sido bem sucedido na carreira; e, tampouco, de sermos indulgentes para com nós mesmos. Um passo na direção da felicidade é o de tornar-se saudável e forte enquanto se é ainda um jovem de sorte que possa vir a ser útil e, dest'arte, gozar a vida quando for homem.

O estudo da natureza mostrará a vocês quão repleto de coisas belas e maravilhosas Deus fez o mundo para vocês gozarem. Alegrem-se com o que receberam e façam bom proveito disso. Olhem para o lado brilhante das coisas, ao invés do lado sombrio delas.

Contudo, a melhor maneira de obter felicidade é proporcionar felicidade à outras pessoas. Tentem deixar este mundo um pouco melhor do que o encontraram e, quando chegar a vez de morrerem, possam morrer felizes com o sentimento de que, pelo menos, não desperdiçaram o tempo, mas sim fizeram o melhor que puderam.

Estejam preparados, desta maneira, para viverem e morrerem felizes, sempre fiéis à Promessa Escoteira de vocês, até mesmo depois que deixarem de ser jovens - e que Deus os ajude a cumpri-la.

Seu amigo,
Baden-Powell


Que bom se todas as pessoas tivessem tempo de escrever sua carta de despedida como fez B.P. Por vezes, as coisas acontecem tão surpreendentemente que não nos damos conta de que a qualquer momento podemos encontrar um obstáculo que vai nos tirar da trilha.

Hoje pela manhã faleceu um amigo, uma pessoa que eu conhecia a bastante tempo, (e como é difícil manter as pessoas por perto por tanto tempo... ).


Hoje o dia começou com um Escoteiro a menos no mundo.

Segunda-feira, 26 de Março de 2007

|235|

Hoje é aniversário de Porto Alegre. Sem sombra de dúvida minha cidade preferida no mundo. Nasci em Porto Alegre e por uma infelicidade do destino acabei parando em Viamão, mas isso não impede que eu viva na capital dos gaúchos, afinal é ao lado de Viamão.

Eu trabalho em Porto Alegre, estudo em Porto Alegre, vou ao cinema em Porto Alegre, vou aos parques de Porto Alegre, compro em Porto Alegre, enfim faço tudo em Porto Alegre.

Deu pra ti!
Porto Alegre tem até uma língua própria, o Portoalegrês, com direito a dicionário e tudo. Conforme definição do dicionário de portoalegrês, de autoria de Luis Augusto Fischer, o Portoalegrês é uma das línguas mais difíceis do Ocidente (que não é o hemisfério e sim um bar no Bom Fim). para começar, só existe uma interjeição - o "bah!" - que é usada em mais ou menos 462 situações diferentes. Prá complicar, "bah!" tem, também, 497 entonações: pode ir de um simples "beh!" até um complicado "bãh!", dependendo do que tu queres dizer. e tem também as gírias. Porto Alegre é equipada com mais ou menos 15 fábricas de gírias funcionando sem parar. Algumas chegam até a ser exportadas: "viajar na maionese" e "pirar na batatinha", que já estiveram na moda no Rio e aqui são faladas há anos, ou em portoalegrês, "há horas". Outras expressões já cruzaram as nossas fronteiras, mas nunca chegaram a ser compreendidas. "Deu prá ti", por exemplo, que é o nome de uma música que fez o maior sucesso no Brasil inteiro, talvez porque pensaram que "deu prá ti" fosse uma sacanagem quando na verdade só queria dizer "chega!". Também tem o "trilegal"! Há horas ninguém fala trilegal em Porto Alegre, agora só se fala "tribom", "triquente", "triafim", "trigente", “triafú" (muito usado) e mais qualquer outro "tri" que tu quiseres.

Não tem como eu descrever essa cidade, por isso, publico aqui a letra de uma música que diz tudo, de autoria do atual Prefeito da cidade, José Fogaça. Ele escreveu a música quando era Senador da República e morava em Brasília. A música é interpretada pela Primeira dama da cidade, Isabela Fogaça, dona de uma belíssima voz.

Porto Alegre é demais
Porto Alegre é que tem
Um jeito legal
É lá que as gurias etc. e tal

Nas manhãs de domingo
Esperando o Gre-Nal
Passear pelo Brique
Num alto astral

Porto Alegre me faz
Tão Sentimental
Porto Alegre me dói
Não diga a ninguém
Porto Alegre me tem
Não leve a mal
A saudade é demais
É lá que eu vivo em paz

Quem dera eu pudesse
Ligar o rádio e ouvir
Uma nova canção
Do Kleiton e Kledir

Andar pelos bares
Nas noites de abril
Roubar de repente
Um beijo vadio

Porto Alegre me faz
Tão Sentimental

Porto Alegre me dói
Não diga a ninguém
Porto Alegre me tem
Não leve a mal

A saudade é demais
É lá que eu vivo em paz

Porto Alegre é demais...!