terça-feira, 22 de maio de 2007

|O Caçador de Pipas|


Acabei de ler o livro “O Caçador de Pipas” de autoria do Afegão Khaled Housseini. Este é um livro mágico, daqueles que não se consegue parar de ler apesar de suas mais de 350 páginas.

O autor apresenta Amir, filho de um rico empresário afegão, que mantém sob seus cuidados Hassan, um garoto pobre de outra etnia, filho de um empregado da família. Apesar da fidelidade de Hassan, Amir abandona o amigo, tenta esquecer a culpa da traição e parte para os Estados Unidos depois da invasão soviética.

O livro mostra uma narrativa por vezes até excessivamente cinematográfica, parecendo que foi feito com o objetivo de virar um filme. Mas é possível visualizar as paisagens e as personagens com perfeição. Por vezes é inevitável inserir-se na narrativa, fazendo às vezes de Amir, outras de Hassan. O ponto fraco se dá no fato de o autor entregar o que vai acontecer, tornando o livro bastante previsível. Não é difícil imaginar o que vai acontecer na história.

Navegamos por variados sentimentos humanos: Princípios, lealdade, dignidade, covardia, coragem, respeito e honra. Mostra o arrependimento, a culpa, o sacrifício e o sucesso de Amir. Mostra com sutileza que dentro da sua simplicidade, Hassan demonstra a sofisticação dos seus sentimentos e a sua sabedoria. Mostra que existem diferentes maneiras de ser feliz e de encarar a sua realidade.

Monarquia, república, invasão soviética, guerra civil, Taliban. O livro mostra um Afeganistão já esquecido que eu nem cheguei a ouvir falar. Espera-se que o Afeganistão volte a ser àquela nação contada no início do livro, a Terra de Amir e Hassan,

Impossível não amar e odiar Amir, não sentir compaixão por Hassan. Impossível não torcer pelo futuro do Afeganistão. Emocionante.

Antes do fim:


O diretor de origem alemã, Marc Forster, de Mais Estranho que a Ficção (2006), acaba de finalizar o filme The Kite Runner, baseado no livro. O filme deve estrear em novembro nos cinemas Americanos e em janeiro do próximo ano no Brasil. Entre os produtores do filme esta Sam Mendes, diretor de Beleza Americana.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

|Cão sem dono|


Problemas básicos que vividos por jovens: falta de perspectivas, ceticismo, muitos sonhos, falta de grana, solidão, paixões e outras coisinhas mais.

Este é o cenário de Ciro (Júlio Andrade), jovem, solteiro, morador de um apartamento com pouca mobília do centro de Porto Alegre. Pouca mobília e poucos amigos. É em Porto Alegre mas poderia ser em qualquer outra metrópole. Fica interessante ser em Porto Alegre por causa do Porto-alegres, falado com bastante fluência por todos os atores. Ciro tem um amigo, o Cão Churras, um vira-latas com cara de vira-latas, que o seguiu na rua até o seu apartamento. Ciro também tem Marcela (Tainá Muller, ganhadora do merecido prêmio de Melhor Atriz no Festival de Pernambuco), uma moça cheia de vida e brilho que traz um certo sentido a vida sem vida do protagonista.

Visita na casa de casal de conhecidos desconhecidos para comer lazanha, transas no quarto sem cama de Ciro, social na casa dos pais, dificuldades para pagar o aluguel do ap, café da manhã com a companhia de Marcela e seus sonhos. Esse é o cotidiano de Ciro.

A vida de Ciro que já não era fácil, fica insuportável quando Marcela descobre que esta com câncer e some da história. Parece que Marcela era o “gás” de Ciro. Depois de uma crise, em que Ciro dá a impressão de estar vagando como se fosse um cão perdido, ele volta para a casa dos pais e passa a ter uma vidinha “normal” de adolescente com festinhas, trabalhando em uma livraria, jogando futebol com os amigos e passeios com o Churras. Até o dia em que o Cão morre e toca o telefone. Depois disso, não se sabe que rumo a vida de Ciro toma.

Um filme intenso, com uma boa história, filmado basicamente no centro de Porto Alegre. Uma vida comum de uma pessoa comum, como tantas vidas devem ser. O filme não é para assistir com a família no domingo à tarde, é um filme por vezes forte, com cenas pouco refinadas e poucos enfeites as partes engraçadas fica por conta das conversas de Ciro com Elomar (Luiz Carlos V. Coelho), o porteiro do prédio, pintor de telas e apreciador de Lupicínio Rodrigues.

Antes do fim:


O filme é baseado no livro “Até o dia em que o cão morreu” de autoria de Eduardo Galera, tem direção de Renato Ciasca e Beto Brant (O Invasor) e recebeu o Trófeu Calunga no Festival de Pernambuco. Para saber mais sobre o filme, acesse www.caosemdonopoa.com

quinta-feira, 3 de maio de 2007

|Rodeio|

Existem poucos programas que eu não gosto. Não tenho nada contra o tradicionalismo gaúcho, inclusive aprecio a valorização que o gaúcho dá as tradições.

No último final de semana, visitei o Rodeio de Viamão com todos os seu ginetes e cavalos. Que coisa mais horrível. Muitas pessoas bebendo, muitas pessoas sujas, muitos cavalos andando entre as pessoas, muitas pessoas andando em meio a cavalos. Tudo misturado e com muita poeira em volta. Muita poeira.

Vários stands vendendo desde botas de gaúcho até pinhão cozido. Muita cerveja e cachaça, muitos bêbados em volta destes barzinhos. Tudo no meio da poeira. Uma sujeira só. Fora o cheiro de excrementos de cavalo. Não tem como ficar livre disso, por onde se anda, o mau odor acompanha.

E o som do rodeio! É uma mistura de narrador de rodeio com um locutor de rádio que só fala dos patrocinadores, os dois ao mesmo tempo, junto com a poeira, o mau cheiro e os cavalos em meio as pessoas. Aliás, nem só de poeira sofre o visitante do rodeio. Onde não tem poeira tem barro. Muito barro.

Os gaúchos, trajados a rigor, com roupas não condizentes com o calor que fazia no final de semana, até que combinavam com o ambiente. Mas as mulheres, com grandes saltos, umbigos de fora, calças colantes, baton vermelho e chapéus de aba larga, estavam prontas para ir à algum outro lugar diferente daquela nuvem de poeira. Fora que não ser raro avistar espécies femininas empunhando e inclinando garrafas de cerveja diretamente na boca, em gestos nada elegantes para mulheres tão bonitas que desfilavam entre os cavalos.

Não vou comentar da maldade feita com os animais para simples divertimento das pessoas que ali estavam.

Antes do fim:
Tem podcast novo no http://www.coisasurbanas.podomatic.com/ entra lá e escuta um pouco dos novos discos do Ira! e do Lobão Acústico.


Antes do fim 2:
Eu e a Aline passamos o feriado de Páscoa em Canela com um roteiro um pouco diferente do óbvio Cascata do Caracol. Inclusive nem chegamos perto. Segue lista com alguns dos pontos turísticos visitados em cada cidade que paramos:
Nova Petrópolis: Labirinto Verde
Canela: Passo do Inferno e Parque do SESI (local da hospedagem)
Gramado: Cachorro quente com queijo derretido próximo a Rua Coberta
Três Coroas: Centro Budista (é melhor ir pela estrada de Taquara)