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segunda-feira, 30 de maio de 2022

Sucessões do rock

A cidade de Porto Alegre não tem mais rádios que toquem rock. Já tivemos a Felusp, a Ipanema, Unisinos e até uma Oi FM que tocavam muita música boa e valorizavam a produção local. Hoje somente rádios de internet fazem isso. Gosto muito da Putzgrila e da Rádio Elétrica. Mas é pouco. Essas rádios "virtuais" ainda não atingem tanta gente.

Fato é que não se tem notícia de novas produções musicais locais. Os músicos que eu conheço estão aos poucos indo embora. Minhas influências musicais estão morrendo e não estou conseguindo substituir. As coisas musicais que tenho acesso não são tão interessantes ou não me fazem bater o pé. Vivemos num momento diferente de consumir música. A Alexa é que escolhe o que eu vou escutar. Mas não tem o locutor me trazendo detalhes sobre a música, sobre a banda ou sobre o cantor. Quero saber essas coisas. É o algoritmo do Google quem me oferece os eventos que talvez eu tenha interesse. Mas eu quero saber de alguém que já foi ou conhece se é realmente bom.

Faço essa reflexão depois de ir ao espetáculo da Orquestra da Ulbra e convidados com os clássicos do rock gaúcho. Miranda não está mais lá como produtor de tantas coisas legais. Alguns anos atrás eu já tinha assistido a essa apresentação e Júpiter Maça estava lá cantando Lugar do Caralho. Eu gostaria que a Mary Mezzari estivesse lá apresentando. Assisti a um Julio Reny cantar lentamente e Jimi Joe com dificuldade para conectar seu instrumento. Fiquei preocupado com eles.

Nei Lisboa, King Jim, Frank Jorge, Wander Wildner ainda estão na ativa. Espero que por bastante tempo. A sucessão roqueira de Porto Alegre precisa ser melhor trabalhada. Mais espaços precisam ser abertos para divulgação. Sinto falta. 

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Ipanema FM - Fica a lenda

Um pouco menos de um ano após a Ipanema dar um guinada na programação procurando se tornar mais "digerível" para alguns ouvintes e eu escrever um texto sobre o fim da era Ipanema, a dona Band resolveu que realmente não vale a pena manter uma rádio que foi autêntica e fez história por mais de 30 anos.

A Ipanema vai deixar a frequência 94,9 de Porto Alegre. A Ipanema vai deixar de ser FM. Em seu lugar mais uma rádio de futebol e notícias. Só mais uma. O que aconteceu com as rádios de Porto Alegre? Tivemos a Ipanema, a Felusp, a Band FM (que em Porto Alegre era uma rádio adulta contemporânea) e ainda muito antes a Continental no AM.

A Ipanema realmente nunca teve uma audiência numerosa. Mas era uma audiência extraordinária. A rádio mudou. Os ouvintes mudaram. A música mudou. Antes o bacana era ouvir o bom e velho rock n' roll. Agora? Melhor não comentar.

Os ouvintes militantes da Ipanema já não estavam contentes. Com a última mudança na gerencia da emissora a rádio mudou muito sua postura. Não era sombra do que foi um dia. A era da Ipanema já tinha acabado. Mas ela estava lá. Ainda tinha o Alemão Vitor Hugo como uma voz que ainda insistia em nos acordar todas as manhãs.

A Ipanema foi a escola de rock de uma geração. Ela fez a cabeça e formou a opinião de muitas pessoas. Algumas músicas só tocaram na Ipanema. Só fizeram sucesso na Ipanema. Tocaram antes na Ipanema.

Desligaram os tubos. Agora ela se vai. Tudo na vida tem seu ciclo. Tudo morre um dia. Fica a lenda.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Ipanema FM - Fim de uma era.

Então após ter sido deixada de lado por 30 anos, a direção de rádios da Bandeirantes resolveu dar uma olhada na Ipanema FM. Olhou e viu que a rádio não tinha nada a ver com as outras. Viu que a rádio não estava entre as líderes de audiência no geral e tampouco no segmento jovem. Aliás, em que segmento a Ipanema atuava?

A Ipanema era uma rádio feito para um nicho de ouvintes muito específico. Um nicho talvez vanguardista não disposto a aceitar o que o mercado impõe como aquilo que todos devem escutar no rádio. A Ipanema era assim.

Na Ipanema você nunca sabia o que ia tocar. Era ligar o rádio e ser surpreendido. Não tocava os sucessos populares. Tocava os seus sucessos. A Ipanema fazia seus “top hits”. Tem músicas que só tocaram na Ipanema e eram sucesso entre os ouvintes. Sua parada de sucessos não se assemelhava a parada de sucessos de outras rádios.

Os locutores nunca foram acelerados, alegres o tempo inteiro. Eram pessoas que falavam normalmente. Os locutores não simplesmente falavam o nome da música, eles também falavam o motivo de tocar aquela música, qual o contexto. Quando informavam alguma notícia os locutores passavam sua visão sobre aquele assunto e tentavam mostrar como aquilo poderia afetar o ouvinte.

A rádio que um dia foi “a rádio para quem tem algo entre as orelhas”, “a rádio dos loucos”, “a menos pior” e “a rádio ouça pra frente” não é mais assim.

São novos tempos. A direção da Bandeirantes lembrou que tinha dado um canal de rádio para uma gurizada. Lembrou que o 94,9 ficava perto da 94,3 e que se fizesse uma programação parecida poderia roubar alguns ouvintes de uma das rádios mais ouvidas de Porto Alegre. Achou que poderia se intitular a rádio rock de Porto Alegre e não perder ouvintes que sabiam como era uma rádio rock.

Hoje a Ipanema toca várias vezes durante o dia o mesmo “playlist”. O meu pen drive tem mais músicas que o da Ipanema. Hoje a Ipanema tem locutores que falam alto e rápido. Locutores que só falam o nome da música.

Entre as opções parecidas com a antiga Ipanema temos a Unisinos e a Itapema (com boa vontade). Mais que isso somente webrádios. Sugiro as rádios Putzgrila, Dinâmico, Rádio Elétrica e On The Rocks.

Ipanema, a rádio que não mais aquela, FM.