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segunda-feira, 23 de agosto de 2021

O bolo murcho

    Acho incrível as pessoas que procuram resultados diferentes nas coisas sempre tomando as mesmas atitudes. Se tu usar a mesma receita de bolo, tu vai ter o mesmo sabor de bolo. Mesmo que o forno ou a cozinha seja outra, o bolo é o mesmo.

   Se tu faz alguma coisa para uma pessoa, a tendência é essa pessoa ter determinada reação. A pessoa é diferente? Pode ser. Mas essa pessoa diferente pode reagir da mesma forma se tu começar a agir da mesma forma.

    Vamos ao exemplo prático. Conhece uma pessoa. Essa pessoa é diferente da anterior. Tem atitudes diferentes, faz coisas diferentes e tem comportamentos diferentes. O discurso dessa pessoa agrada. Que bom! Era essa a diferença que tu procurava pra ti. Mas o que tu faz? Tu é diferente para essa pessoa? Ou tu faz as mesmas coisas que fazem essa pessoa diferente voltar para dentro da sua mesmice?

    Isso é teimosia. Apesar de tu saber que o bolo não fica bom com determinada receita, tu segue querendo que ele funcione com ela. Tu segue querendo colocar aquele ingrediente que não fecha. Se abrir o forno não funcionou das outras vezes, por que abrir o forno mais uma vez? Já não sabe que o bolo murcha ao invés de crescer?

Já estou cheio de me sentir vazio

Meu corpo é quente e estou sentindo frio

Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber

Afinal, amar ao próximo é tão démodé

Legião Urbana - Baader-Meinhof Blues

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Venha 2016



Tem algumas épocas do ano que são mais difíceis que outras. Eu não gosto do período de final de ano. Acho terrível.

É nessa época que faço uma revisão do que foi feito durante o ano. Se realizei tudo o que tinha vontade de fazer. E na maioria das vezes, poxa, não faço quase nada do pensava que ia fazer. Não coloco os meus planos em prática na maioria das vezes.

Já estamos no início de dezembro. É o início do fim do ano. Já passou meu aniversário. Novamente não ganhei a maioria dos presentes que eu queria ter ganho. Daqui a pouco é Natal. Nos últimos anos não ganhei quase nada e a tendência é piorar. Não pense leitor que meu sentimento se resume aos presentes que não ganho. Isso eu não tenho sob controle.

Passou mais um ano e eu não fiz novas amizades. Será que fiz algum esforço para fazer novas amizades? Não. Não fiz. Continuo sem convites para grandes festas e eventos bacanas. Continuo sem um grupo de caminhadores ou uma companhia para um passeio. Ninguém que realmente valha a pena ou será que sou muito xarope mesmo?

Em 2015 não recebi cartas que não fossem de boletos bancários e cobranças. Não recebi e-mails que não fossem convites para reuniões (99% desnecessárias), mais trabalho ou SPAM. Mas agora só se usa Facebook e Whats você pensa. Whats é só putaria e piada velha. Minha timeline do Facebook ficou cheia de selfies dos outros, campanhas para rezar por alguém, notícias de tragédias e fotos de viagens dos outros.

Mais um ano se acaba e que lugares novos eu conheci? Nem me lembro se conheci algum. Acho que só fui em lugares repetidos. Nenhuma grande novidade. Tenho vários roteiros prontos. São várias as aventuras e lugares para se conhecer. Mas isso pode parecer tão supérfluo para tantas pessoas. Pode ser tão secundário. Melhor nem me preocupar mais com isso e nem criar expectativas em 2016.

O ano de 2015 está chegando ao fim e já que eu não fiz a maioria das coisas que estavam planejadas pelo menos deveria ter feito alguma economia. Onde foi que enfiei meu dinheiro? Cadê? Sumiu!
Sou o resultado das minhas escolhas.

Agora o leitor deve ter se perguntado durante a leitura: nada de bom durante o ano? Sim. Aconteceram várias coisas boas. Mas é a insatisfação que muda o mundo.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

2014

Estava faltando eu escrever aqui sobre o meu ano de 2014. Deve ter sido o ano mais maluco da minha vida até então. Pelo menos desde que comecei a reparar que tenho uma.

Iniciei 2014 morando em um apartamento próprio, casado, andando de moto e trabalhando em uma indústria de alimentos.

No decorrer do ano estive morando de aluguel, solteiro, andando de carro (velho) e moto, trabalhando em uma escola dando aula e também na indústria de alimentos.

Acabei o ano de 2014 morando em uma casa própria em condomínio, casado, andando de carro (relativamente novo), trabalhando em uma empresa de serviços em uma cidade distante 50km da minha casa.

Em 2014 viajei e conheci alguns lugares que nunca tinha ido. Turismo de aventura. Nada de hotel com estrelas. Bastante caminhadas e trilhas.

Foi um bom ano.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Tchau

Dar tchau é estranho. Nunca estamos preparados para isso. Por mais que se pense que estamos preparados, o momento do tchau sempre é estranho.

Não falo do tchau definitivo que é ocasionado por morte. Esse tchau apesar de também estranho é inevitável. Pode estar acompanhado de surpresa por desconhecermos o momento certo que ele ocorre, mas é inevitável.

Também não falo aqui do tchau quando nos despedimos de uma visita. Esse tchau não é mais que um até logo. Pois a despedida mantem a vontade do reencontro.

Não estou com esse papo todo de tchau para justificar um possível fechamento desse blog. Apesar da escassez de textos ainda tenho esperança de retomar uma postagem de textos mais frequente.

Falo do tchau de pessoas que convivem juntos por anos e num belo dia se dão conta que essa convivência não era tão bacana. Todas as coisas boas que se passou junto não e o suficiente para evitar que cada uma tenha que seguir o seu rumo, cada um para um lado, não mais juntos. Cada um com seus objetivos e seus projetos de vida. Cada um com seus ideais, valores, pensamentos e opiniões.

Falo de dar tchau para a pessoa que tu achou que era a pessoas da tua vida para sempre. Alguém já disse que o pra sempre sempre acaba. E nem sempre acaba com a morte ou de alguma maneira trágica. As vezes só acaba. E raramente não é triste.

|Um dia desses, um desses encontros casuais.Talvez a gente se encontre.
Talvez a gente encontre explicação...
Um dia desses, num desses encontros casuais
Talvez eu diga:
-minha amiga, pra ser sincero, prazer em vê-la!
Até mais!...|

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

|Post Inédito|

Faz tempo que não escrevia no blog. Não sei exatamente se é a falta de assunto ou a falta de vontade de escrever. Não tenho explicação pra isso. O fato é que o Coisas Urbanas esta aqui meio sem dono. Tenho escrito bastante no Twitter, estou no endereço www.twitter.com/mauromu Escrevo ali quase que diariamente e quase que dezenas de vezes por dia.

Falta de assunto pra escrever não é, talvez eu tenho assunto o suficiente pra escrever um livro. Justamente esse excesso de assunto é que deve ter ocasionado essa ausência. Com uma oferta grandiosa demais de pautas para o blog, acabo não me decidindo sobre o que escrever.

Vamos então a um pequeno resumo do que tem acontecido nos altos da Antônio de Carvalho. O apartamento esta ótimo, tudo certinho no meu relacionamento monogâmico com a Aline. Recentemente adquirimos uma moto, chamo ela de Ruiva pois é vermelha. Aliás, chamo ela assim somente nos meus pensamentos, já pensou ficar chamando uma moto na rua? Bem, estamos bem satisfeitos com a moto, apesar de ser de baixa cilindrada, já nos levou pra praia e tudo.

Estou de férias, praticamente sem fazer nada de muito útil pra humanidade. Comprei alguns DVDs de shows, que são ótimos de ver e escutar no super aparelho de som e vídeo aqui de casa. Comprei acústico do Lobão, show do Engenheiros do Hawaii e Pouca Vogal, baixei da internet o show do Cidadão Quem gravado no Teatro São Pedro. Tento acompanhar os músicos como violão que ganhei da Aline de aniversário, mas isso não tem apresentado um avanço satisfatório de aprendizado.

Assisti alguns bons filmes no cinema. Recomendo todos: Fim da Escuridão, O Lobisomem e Sherlock Holmes. Assisti a uma apresentação teatral: Solos Trágicos, na beira do Guaiba, nos fundos da Usina do Gasômetro com musica ao vivo. Fui fazer rafting nas corredeiras do Paranhama em Três Coroas, fui a Torres veranear, em Tramandaí pra visitar o Camporee, em São Lourenço passar o réveillon, em Bento Gonçalves fazer um curso. Para amenizar o calor fui a todos os shoppings de Porto Alegre e tomei alguns banhos na piscina do condomínio. Li "Pra ser Sincero" do Humberto Gessinger e "Bellini e o Demônio" do Toni Belotto entre outras coisas.

Hoje é quinta de carnaval, sim, no Brasil uma semana antes e uma semana depois do carnaval é carnaval. Volto a trabalhar na próxima quarta cheio de gás e tomara que pronto para enfrentar novos desafios que surgirem. Acho que só sabemos que estávamos prontos para o desafio depois de enfrentá-lo. E assim segue a vida, com calma e força pra encarar tudo.


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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

|Na faixa|

Muito legal a campanha da Prefeitura de Porto Alegre para que respeitem a faixa de segurança.

Orientações retiradas do site da campanha:
Porto Alegre tem um novo sinal de trânsito. Ele é fácil de fazer, fácil de entender e veio para melhorar o nosso dia a dia, ajudando o pedestre a atravessar a rua na faixa e deixando o trânsito da cidade mais seguro para todos.

Pedestre
Atravesse na faixa. E faça o novo sinal. Quando você estiver caminhando pela cidade, use sempre o novo sinal para atravessar na faixa. Ele funciona como um diálogo entre você e o motorista, sinalizando que você deseja atravessar.

Onde tem sinaleira, respeite a sinaleira. Normalmente, as sinaleiras estão em lugares onde circulam muitos carros. Nesses locais, é a sinaleira que indica a hora de atravessar, por isso o novo sinal não deve ser feito. É essencial respeitar o que indica a sinaleira e esperar a sua vez para atravessar com segurança.

Para atravessar onde não tem faixa, preste atenção. Se tiver uma faixa de pedestres a 50 metros ou menos de onde você está, atravesse na faixa. É mais seguro e garante mais harmonia no trânsito. Onde não tiver faixa por perto, lembre-se: olhe para os dois lados, atravesse em linha reta e sem correr.

Onde não tem faixa de pedestres, não faça o sinal. O trânsito é para todos e você tem preferência na faixa. Onde não tem faixa de pedestres, o novo sinal não deve ser feito.

Motorista, motociclista, ciclista
Ao ver pedestre na faixa, pare e dê a preferência. Respeitar a faixa é mais do que gentileza, é lei. Uma lei que nasceu para deixar o trânsito melhor para todos. Quanto mais a faixa for respeitada, mais será usada pelos pedestres, tornando o trânsito cada vez mais organizado.

Reduza a velocidade perto de faixas de pedestres. É mais fácil enxergar o pedestre fazendo o novo sinal. Além disso, evita freadas bruscas que podem comprometer a condução do motorista que está no veículo de trás.

Pare antes da faixa. Dessa forma, o pedestre tem a certeza de que você vai dar a preferência para que ele atravesse a rua.

Espere o pedestre atravessar. Somente arranque o seu veículo depois que o pedestre atravessou completamente a rua.

Seja prudente no trânsito. Não corra, diminua a velocidade ao se aproximar da faixa de pedestres e sempre fique atento ao veículo de trás.


Não raro fico com raiva de algum motorista que finge que a faixa de segurança não existe. Cheguei a pensar inclusivo que todas as faixas fossem apagadas tamanha a inutilidade delas em Porto Alegre.

Uma vez, em pleno domingo de sol na avenida Oswaldo Aranha eu estava atravessando na faixa e um taxista parou quase nos meus pés. Em cima da faixa. Não tive dúvida, dei um safanão na cabeça do motorista. O cidadão ficou muito brabo e queria vir pra cima de mim. Eu ia encarar o motorista mas acabei sendo puxado dali. Tenho certeza que aquele taxista lembra de mim na faixa de segurança.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

|Amanhã, não fará diferença|

Em meio as comemorações da Indendência do Brasil, o grande feriado Nacional, assistindo a alguma reportagem sobre os desfiles marciais (que não sei para que servem) lembrei que ontem fui assistir ao show do Arthur de Faria e Seu Conjunto no Teatro de Arena em Porto Alegre. Lembrei hoje de uma música em especial. Uma música que na verdade é a adaptação de um poema de Daniel Galera.

Daniel Galera é o autor do livro que originou o filme Cão sem Dono, sobre o qual já escrevi alguma coisa quando ocorreu o lançamento. O poema é de uma sensibilidade que me fez pensar em coisas que já penso. A música serviria de trilha para todas as viradas do ano. Pelo menos hoje serve (infelizmente). O poema é uma oração. Uma breve oração de virada de ano. Serve para pensar no orgulho nacional do sete de setembro e todas as coisas que nos fazem ficar tão orgulhosos de nosso estado humano frágil.

Breve Oração de Virada de Ano
(Arthur, sobre poema de Daniel Galera)

"Dentes guardados. Não acabam nunca se guardados. Na boca apodrecem."
(Hilda Hilst, "Com os meus olhos de cão")

Deus, por favor não mais permita que os cachorros me dirijam olhares tristes por trás das grades do jardim das casas.
Deus, poupe-me também dos olhares tristonhos das empregadas que contemplam a cidade apoiadas nas sacadas dos prédios.
Tira, por favor, de todos os asilos, os adesivos do Ecco Salva afixados nas paredes.
Que as vastas platéias de cinema sejam ocupadas sempre por uma única pessoa, e que na saída do filme chova invariavelmente.
Bota fim, deus, a esse constrangimento injustificado que faz com que as pessoas desistam de foder e dar abraços, mesmo quando elas sabem que isto seria necessário.
Convence a todos da impossibilidade do amor, e observa enquanto descobrem o amor como a única possibilidade.
Quanto aos pecados capitais, peço que tornes a Gula compatível com a Vaidade, a Preguiça compatível com a Avareza, a Ira compatível com a Inveja, e que a Luxúria soterre as anteriores.
Acabe com a Aids, deus.
Que todos tenham plena consciência de que vão morrer definitivamente, e que na hora da morte não possam evitar um breve sorriso de desobediência infantil. E conserva os dentes dentro de nossas bocas,para que apodreçam conosco.
Que persista no tempo apenas aquilo que fomos capazes de criar.
Peço que amanhã de manhã, deus, eu seja acordado com o peso familiar de um certo corpo em cima do meu.
Que o sol invada minha barraca brando, resignado.
Então será o ano 2000, mas não fará diferença.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

|Na Natureza Selvagem|

Roteiro e direção: Sean Pen

Baseado na Obra de: Jon Krakauer (Into the Wild)

Elenco: Emile Hirsch (Christopher McCandless), Marcia Gay Harden (Billie McCandless), William Hurt (Walt McCandless), Jena Malone (Carine McCandless), Brian Dierker (Rainey), Catherine Keener (Jan Burres), Vince Vaughn (Wayne Westerberg), Kristen Stewart (Tracy), Hal Holbrook (Ron Franz), Zach Galifianakis (Kevin)

Duração: 140 min.

Gênero: Drama/Aventura

Christopher Johnson McCandless nasceu em 1968 e cresceu no estado da Virginia, EUA. Filho de um engenheiro da NASA, ele sempre se destacou por sua habilidade atlética e um certo isolamento, que se traduziu num crescente descontentamento com a situação social nos EUA. Em 1990, inspirado pelos trabalhos de escritores como Jack London, Leon Tolstoi e Henry David Thoreau, largou tudo após concluir a universidade, doou suas economias para a caridade e se tornou um andarilho, assumindo a alcunha de Alexander Supertramp. Viajou pelos EUA, alternando períodos na estrada e trabalhos temporários. Sua peregrinação culminou em uma viagem para o Alasca, onde pretendia viver da terra em um estado de isolamento e contemplação.

A história real de Christopher McCandless se tornou o livro “Na Natureza Selvagem”, de Jon Krakauer, em 1997. Dez anos depois, o ator e diretor Sean Penn reacende a lenda deste jovem, neste belíssimo e emocionante drama. O filme traz um magro e barbudo Emile Hirsch (“Os Reis de Dogtown”, “Alpha Dog”) como protagonista, quase irreconhecível para quem se lembra de seu papel como o garoto de “Show de Vizinha”, de 2004. “Acho que eu tinha uns 9 anos quando passou um programa na televisão e eu fui cativado e fascinado pela história desse cara que foi para o Alasca”- lembra-se Hirsch - “Aquilo me impactou profundamente quando eu era criança. Depois que Sean me ofereceu o papel e eu li o livro, aquelas emoções voltaram com tudo.”. Tentando recriar a personalidade forte e decidida de Chris, Hirsch faz um trabalho impecável e merece cada um dos muitos elogios que recebeu de público e crítica por sua atuação. Também espanta a seriedade de seu treinamento físico: para filmar as cenas no Alasca, o ator de apenas 22 anos chegou a perder 15 quilos, atingindo o peso de 52 Kg (ele tem 1,70 m).

Eu poderia dizer que a presença dominante de Emile Hirsch, entremeada por uma narração quase poética, carrega o filme, mas isso seria uma grandíssima injustiça em relação a todos os outros envolvidos no trabalho, em especial com o veterano Hal Holbrook. Holbrook interpreta Ron Franz, um viúvo e veterano de guerra que conhece Chris durante suas viagens e por algum tempo convive com o andarilho, ensinando-lhe sobre sua profissão. Ron, assim como tantos outros no caminho de Chris, vive à margem da sociedade, isolado em um mundo particular. O momento da despedida entre ele e o jovem idealista é o momento mais emocionante do filme, tanto que Hal Holbrook foi indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante em 2008. Outros atores também marcam presença no longa: William Hurt e Marcia Gay Harden fazem os papéis dos pais de Chris e servem como vínculo do andarilho ao seu passado; a jovem Jena Malone interpreta Carine, a irmã de Chris, e faz muitas das narrações do filme, contando um pouco do passado dos dois irmãos. Uma surpresa entre os coadjuvantes é Brian Dierker, treinador de Hirsch nas cenas com caiaque, que acabou sendo convencido por Sean Penn a interpretar Rainey, um hippie que viaja pelas estradas em seu trailer com a parceira Jan, vivida pela atriz Catherine Keener. Outro nome que merece ser mencionado é o da bela Kristen Stewart, interpretando uma adolescente no acampamento de trailers de Slab City que se apaixona pelo espírito aventureiro de Chris.

Desde o lançamento do livro de Krakauer, Sean Penn buscava uma oportunidade para obter os direitos de filmagem da história. Foram tantos anos até a família MacCandless se sentir preparada para reviver aquele período em suas vidas, que quando o projeto recebeu o sinal verde, Penn já sabia exatamente como fazer seu filme. “Era como se Sean tivesse pensado no filme durante todos aqueles dez anos. Tudo aquilo simplesmente começou a sair porque o filme inteiro já estava dentro dele antes mesmo de Sean escrever uma página” comenta Art Linson, produtor do filme. Isso fez com que Sean Penn tivesse tempo para fazer escolhas muito específicas para a produção. Para a cinematografia, que envolveria muitas paisagens naturais e deveria tentar transmitir o sentimento de assombro de Chris em relação à natureza, o diretor procurou Eric Gautier, diretor de fotografia em “Diários de Motocicleta”, de Walter Salles. Nas palavras de Sean Penn: “Eu conversei com Walter Salles, quem eu conheço e respeito muito, e ele começou a falar sem parar como Eric era excelente e um verdadeiro artista e tal... e ouvir isso de Walter foi uma coisa e tanto... Eu sinto que fui muito sortudo, pois este é o cara com quem quero fazer todos os meus próximos trabalhos”. Não só na identidade visual de “Na Natureza Selvagem” vemos o cuidado de Sean Penn. O diretor também queria que o filme tivesse uma identidade musical única e acabou procurando Eddie Vedder, ex-vocalista do Pearl Jam, para complementar a trilha sonora para a película. O compositor já conhecia Penn desde seu trabalho na trilha sonora de “Os Últimos Passos de um Homem” e não hesitou em participar do projeto. Vedder compôs várias das canções originais do filme, tocando ele mesmo todos os instrumentos em muitas das composições. O estilo rústico das músicas e a voz de Vedder caem como uma luva no ritmo e na fotografia do filme, criando uma trilha sonora marcante e que não deveria ter ficado de fora do Oscar de 2008. A impressão realmente é de que a música de Vedder ajuda a contar a história e mergulha nos pensamentos de Chris à medida que este atravessa os EUA.

É difícil não ser repetitivo ao elogiar “Na Natureza Selvagem”. Um trabalho que mostra uma grande maturidade artística de Sean Penn como diretor e roteirista e uma produção impecável, com atuações emocionantes, é o mínimo a se dizer. Dizer que o filme além de belo traz uma profunda reflexão sobre nosso papel na sociedade também seria apenas tocar a superfície de “Na Natureza Selvagem”. Mas nesse ponto acaba a crítica cinematográfica e começa a filosofia, então prefiro deixá-los com o filme e com suas próprias reflexões.

Gustavo Catão

Antes do fim:

O filme é espetacular. Não sei porque demorei tanto para assistir. Deve ser por culpa dessa demora que assisti o filme duas vezes seguidas. A jornada do protagonista deveria ser obrigatória para todas as pessoas, afinal quem não quer encontrar o seu Alaska?


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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

|Convivência|

Pois então...
Cá estamos nós já no apartamento novo,
Na vida nova,
Na vida a dois,
Eu e a Aline,
Convivendo,
Um com o outro.

Antes do fim:
Estou falando é de conviver com os outros. Conviver em harmonia e com alegria e, sobretudo, com tolerância. Viver sem se levar muito a sério. Sem levar nada muito a sério. Porque nada é realmente sério. Porque tudo o que se faz na verdade não tem sentido. É só uma tentativa de esquecimento.

O outro.

As notícias horripilantes do jornal de todo dia, a arrogância do chefe, a mesquinhez do colega, a violência, quanto de dor se pouparia se as pessoas soubessem que só o que importa de verdade é conviver com o outro.
David Coimbra
18801

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

|As chaves|

O Sol retoma logo a dianteira
Mandando avisar que o céu é dele
E que tudo vai mudar
Tudo vai mudar
Tudo vai mudar
Tudo vai mudar

E já não existia mais tristeza no ar
Assim que o sol nasceu e começou a brilhar
A luz tranqüilizou toda a população
A chuva já não nos preocupava
Havia novo gás pra crowd da parada

E o sol quem toma conta do planeta
E manda avisar que o seu povo
não precisa mais chorar
Não precisa mais chorar
Não precisa mais chorar
Não precisa mais chorar

O sol que toma conta do planeta
Mandando avisar que o céu é dele
E que tudo vai mudar
Tudo vai mudar
tudo vai mudar
tudo vai mudar...
Finalmente eu e a Aline conseguimos tocar no nosso apartamento. Depois de alguns contratempos, as chaves já estão em nossas mãos.

Agora sim vai começar uma nova vida, tudo vai mudar.

Antes do fim:
Bem que essa poderia ser a trilha sonora das matérias sobre Santa Catarina. A música é do Maskavo, uma banda de Brasília com um som bem legal.

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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

|Chorando no Campo|

A chuva cai chorando

E o meu amor vai e vem

No céu, no chão

A rede vai e vai levando

A noite além da noite

Me faz lembrar o que eu não vivi

Toda essa história esse segredo

Memórias num vendaval

Pela estrada enquanto eu passo

O cinema é só ilusão

Vou chorando pelo campo

No meio do temporal

A chuva dá saudades

De um lugar que eu nunca fui

E o vento vai soprando

Um choro tão distante

Pela estrada enquanto eu passo

O cinema é só ilusão

Vou chorando pelo campo

No meio do temporal.


Antes do fim:
Esta música é do Lobão. Ficou ótima com a interpretação da Ira!.

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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

|E o Sol?|

Após a completa desesperança de ver o Sol antes do final de semana, alguém me empolgou. Me disseram que hoje no final do dia, eu iria conseguir ver o que tanto quero.

Um balde de água gelada novamente. Desta vez acho até que foi pior. Já estava preparado para me deslocar ao encontro do sonho. Faltavam alguns minutos para alcançar o pote de ouro no final do arco-iris.

Fazer o que? Não adianta... não vou mais me iludir. Só vou querer saber quando tiver certeza. O que adianta se comprometer se não é possível cumprir? Pra mim compromisso é compromisso. Deveria ser. As pessoas tem que ter noção daquilo que podem fazer. Avaliar corretamente o tempo antes de dizer que o Sol vai sair de trás das nuvens carregadas que o encobrem.

Antes do fim:

Sabe puto da cara? Fiquei.

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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

|A tempestade|

Dia de Sol, calor. O mar esta limpo, a areia bem branquinha.
Um ótimo dia para ir até a beira da praia e tomar um belo e refrescante banho de mar.

São três quadras até o mar. A caminhada é longa e cansativa. No final vai valer a pena.

Quando se estava para colocar o pé na areia caiu aquele toró. A praia teve que ficar pra outro dia.

Foi como um balde de água fria. Esfriou o que talvez estava muito quente. 

Antes do fim:
Chegou a tempestade devastando o lugar
E quem viu desesperou-se e comecou a chorar

O frio, queimando as plantas, castigando animais
A fome era o que mais assolava
Matando bons e maus em uma só tacada
Maskavo 

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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

|Estaleiro Só|

Quando eu ia na casa da minha avó com o ônibus Camaquã pela avenida Padre Cacique, era obrigado a passar em frente ao local em que um dia funcionou uma empresa contrutora de navios. A Estaleiro Só S/A. Empresa esta fundada na metade do século XIX, em 1850, época em que Porto Alegre não poderia ser considerada mais do que uma aldeia. Tratava-se, no entanto, da primeira ferraria e fundição que se tem notícia na capital, estabelecida na esquina da Rua Uruguai com a Praça Montevidéo, no coração de Porto Alegre.

Produziram ferros, sinos para igrejas, tachos de cobre e, durante a guerra do Paraguai, forneceram bocais, estribos e cornetas para o exército em operação. Neste período, parece ter se desenhado a vocação da empresa, que também passou a fazer reparos na frota naval da Marinha Brasileira.

Nas últimas décadas, estabeleceu-se como sociedade anônima, adotando o nome de Estaleiro Só S.A. Depois de já constituído como um estaleiro, produziu mais de 170 embarcações, cerca de 30 modelos de navios, entre eles ferry-boats, navios-tanque, baleeiras, rebocadores, iates e pesqueiros. Seu apogeu ocorreu durante a década de 70, do século XX. Neste período, chegou a contabilizar cerca de 3 mil funcionários.

Nos anos 80, a indústria sofreu um forte declínio, principalmente devido à falta de financiamentos. O Estaleiro Só iniciou, então, um processo de diversificação de suas atividades, abrindo uma divisão de metal-mecânica, destinada à fabricação e pré-montagem de caldeiraria pesada, semi-pesada e leve. Esta iniciativa, que chegou a dar uma sobrevida ao empreendimento, não foi suficiente para mantê-lo ativo nos anos que se seguiram.

A área com mais de 50 mil metros quadrados junto ao Guaíba, na zona Sul da capital, está abandonada desde 1995 após ser utilizada desde meados dos anos 50 para fins privados. Hoje, o que existe no local são as ruínas do Estaleiro, lixo e abandono.

Então alguém comprou a área em um leilão. E provocou a ira de pessoas que querem deixar tudo abandonado do que jeito que esta com o argumento de que irá privatizar a orla do Guaíba. Aquela parte da orla já é privada! É de propriedade de ratos, baratas, cobras e drogados. Sou totalmente favorável de que algo seja construído ali urgentemente. Os novos donos do local querem construir prédios comerciais e residenciais. Vai ficar muito legal. Bem melhor do que as áreas já utilizadas pela iniciativa privada (existem áreas junto ao Guaíba utilizadas pelos times do Grêmio e do Inter).

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

|A Grande Preocupação|

Incrível como as vezes encontro músicas que gostaria de ter feito. A música baixo está atualíssima e eu partilho do que é dito na letra. Para quem também gostar e quiser saber mais sobre o dono da música, acessa o site http://www.thiagocorrea.com.br/ que lá tu vai encontrar mais músicas e também versões de sucessos em ritmo de Samba Rock. Bem interessante.

 Thiago Correa - A Grande Preocupação


Composição: Thiago Correa

Hoje eu vou falar o que eu tenho percebido.
Mas sei quando acabar você já vai ter esquecido.
Por que a nossa memória cabe só o que interessa.
Tem Maria tem Glória, mas a ordem não é essa.

Tem a tal de violência, mas é só no seriado.
Tenho a alarme, grade e um pastor alemão.
Mas sinceramente voto em libertar os condenados
E mudar pra segurança da prisão

Li sobre um policial morto semana passada
Saiu a nota no jornal. A causa não revelada
Eu já nem me admiro porque sei da verdade
Morreu de tiro? Não. De honestidade.

Sua esposa é professora e tá aprendendo a lição
Já tá usando a vassoura em sua nova profissão
Ela não come todo dia, mas comprou televisão.
Viva as Casa Bahia
felicidade em prestação.

Policia desmonta um grande esquema de corrupção
Criança atingida por bala perdida na operação
Mas a Grande Preocupação
Foi que levou a táça da segunda divisão (Vai lá Timão)
Dinheiro roubado, imposto aumentado e a gente a cantar (Lalaiálaiá)
Mendigo encontrado intoxicado por lixo hospitalar
Mas a Grande Preocupação foi quem se virou nos 30 no domingo do Faustão. (No domingão)

Pele branca, grana preta, adolescente revoltado.
Se acha excluído por não ser discriminado
Sonha em fazer Dread, ser pobre e favelado.
Vende drogas, usa gírias, fala bem, melhor calado.

Enquanto acha bonitinho ser ladrão
Seu pai faz vasectomia e a mãe lipoaspiração
Mas povo alegre só enxerga a solução
A gente desce na boquinha da garrafa até o...

Brasileiro é alegre,
Brasileiro tem gingado.
A família toda espera que ele seja advogado
Na primeira oportunidade vai pro exterior
É o melhor dos manobristas, tem diploma de doutor.
Mas tu viu o noticiário que horror?
Dado Dolabela na carreira de cantor
Ronaldinho engordou e ainda está na seleção
Sandy e Júnior anunciam sua separação.

Nosso povo é bem tratado a pão e circo e novela
Eu acredito no senado, acredito em Cinderela.
Mas se o circo não tem dono é só leão que come?
Então tem pizza rolando enquanto o povo passa fome?

Hoje mesmo eu sonhei que era deputado
Terça e Quinta trabalhei, depois fiz feriado.
Suas regras decido, minhas leis eu mesmo invento.
Então tá bom, tá resolvido, vou me dar mais um aumento.

Quanta coisa acontecendo, ninguém sabe, ninguém viu.
Olha o Lula recebendo o Papa no Brasil
Meu cumpadi, meu amigo, venha
cá me dar um abraço.
Faça tudo o que digo, mas disfarça o que eu faço.

Quem transar de camisinha vai ouvir um sermão
Mas pra benzer um coroinha a gente abre uma exceção.
Então esquece o pecado, o Romário já fez mil.
Nesse país de Pelados o costureiro é o Clodovil.



Antes do fim:
Não gosto de horário de verão.

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terça-feira, 30 de setembro de 2008

|Cabeleireiros|

A visita mensal ao cabelereiro para mim é um mal necessário. Não tenho o cabelo dos mais comportados e passado alguns milimetros da medida ideal, a juba já começa a ficar revoltada e a missão diária de pentear o cabelo fica dificultada. Sempre achei o ritual do corte de cabelo uma missão um tanto chata.

Cabelereiras, cabelereiros ou barbeiros. É sempre a mesma rotina com pequenas variações dependendo do local em que se vai ou do sexo do profissional.

Em salões em que as mulheres são as responsáveis pelos cortes, o assunto predominante são novelas ou fofocas das chamadas "celebridades". As revistas na sala de espera são: "Caras", "Contigo" ou "Minha novela". Sempre de três meses atrás.

Em cabelereiros masculinos os assuntos inevitáveis são futebol, política, mulher e tempo.  As revistas vão de "Sexy" a "VIP" não esquecendo do "Diário Gaucho". Mas o assunto que impera é futebol. Impossível ir cortar o cabelo e não falar da rodada do domingo do campeonato brasileiro. O assunto sempre começa com o cabeleireiro tentando nivelar o assunto com a tradicional frase: "E aí? Como foi o teu time?" Dependendo da resposta ele vai descobrir se o cara é gremista ou colorado. Se for do mesmo time o assunto engrena, se for de times adversários o assunto vira discussão ou acaba por ali. Para acabar o assunto vem a frase: "E esse tempo..."

Mas, só pra me fazer ficar surpreso, dias atrás fui realizar o ritual do corte de cabelo. Sentei no poltronão da salão e já fiquei aguardando as indagações sobre o tempo e o meu time quando, na primeira fala descobri que o profissional era castelhano. Seria pior ou melhor o papo do castelhano? Fiquei na espectativa aguardando o que viria.

O castelhano era chileno, já tinha morado na Argentina, no Uruguai e tinha pequenas passagens pela Europa. Veio para o Brasil a uns 10 anos mas mantém o sotaque porque as mulheres gostam. Morava no Rio de Janeiro e veio visitar o Forum Social Mundial em Porto Alegre e nunca mais saiu daqui. Apaixonou-se pela cidade. Conversamos sobre o desenvolvimento dos países do Mercosul, a busca por novas fontes de energias, a inércia do povo brasileiros frente a ineficiencia dos serviços públicos e sobre separatismo. um cabeleireiro diferente, com um papo acima da média dos outros. 

Para quem quiser conhecer, o Chileno corta cabelo na Rua Andrade Neves esquina com a General Câmara tem que perguntar pelo Chileno pois esqueci o nome dele e neste salão devem ter uns 20 cabeleireiros. 

Antes do Fim:

Suposto Alcaide
  • José Fogaça - demorou a dizer que seria candidato a reeleição tanto quanto demorou a fazer alguma coisa na cidade;
  • Manuela - acredito que o PPS vai cobrar por bancar a campanha de uma candidata do PC do B um partido que em Porto Alegre sempre foi sombra do PT e não teria como abraçar sozinho uma candidatura inevitávil. Casoo eleita pode não cumprir todo o mandato para se candidatar ao Governo do Estado;
  • Maria do Rosário - o melhor que o PT deveria ter feito era ter indicado o vice da Manuela;
  • Onyx - Não parece a vontade e tem propostas de difícil implantação. Não combina com a campanha e não tem nada a ver com o seu vice Mano Changes;
  • Marchezan - focou a campanha na saúde. É do partido da queimada governadora do Estado;
  • Carlos Gomes - quer um trem bala até a praia!!!;
  • Vera Guasso - quer fazer greve;
  • Luciana Genro - a mais esforçada. Alisou o cabelo, não esta gritando, esta sorrindo e aparentemente virou simpática. Acredito que é a que mais fez esforços para ser Prefeita. Votaria nela.

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