segunda-feira, 20 de junho de 2016

Viagem: Minas do Camaquã



Minas do Camaquã é um distrito de Caçapava do Sul/RS. O lugar teve seu apogeu com a instalação de minas para exploração de minério e hoje com as jazidas esgotadas e os locais de exploração abandonados, tenta encontrar uma utilidade e fonte de renda. A exploração do turismo parece a melhor saída.
Caçapava do Sul/RS

A localidade se tornou uma cidade fantasma. No alto de seu esplendor chegou a ter mais de 5.000 habitantes. Hoje conta com cerca de 500 moradores. Tem um comercio voltado para abastecimento alimentar da população. Não tem lojas. Não tem grandes restaurantes. Não tem um turismo de massa.
As atrações são os prédios históricos abandonados, as formações montanhosas e as ruínas das minas abandonadas. Também existe uma certa curiosidade em torno de relatos de pessoas que avistaram Óvnis. Tudo poderia ser melhor organizado com pouco investimento e com grandes retornos para a população. Não se vê muitas pessoas nas ruas. Não tem entretenimento. É um bom lugar para se esconder por um tempo após cometer algum crime. A série "Animal" produzida pelo canal GNT foi filmada no local.

Rua em frente a pousada
Ao andar pelas ruas vazias o sentimento é de fim de festa. Coisas fora do lugar. Equipamentos abandonados. Prédios empoeirados. Silêncio. As vezes parece uma cidade cenográfica. Todas as casas muito parecidas. Tudo um dia teve seu lugar. Tudo um dia teve seu propósito de estar ali.
Fui conhecer o local devido a curiosidade sobre a mina abandonada, possibilidade de boas trilhas na natureza e pela beleza do local. Fui com um grupo da Awakening Turismo guiado pela Ângela. Abaixo alguns lugares visitados.

Barragem João Dias

Hospedagem
Ficamos hospedados na Minas Outdoor Sports. A empresa é o operador de turismo oficial do lugar. Detendo exclusividade na exploração dos pontos de interesse. O local é aconchegante e o atendimento é bom. O prédio da instalação é uma antiga cozinha central que atendia aos mineiros adaptada para receber hospedes. Fica num ponto central da cidade.

Minas
Para acessar a área das minas subterrâneas e da mina a céu aberto é necessário contatar a empresa Minas Outdoor. Eu esperava que entrássemos mais na mina subterrânea. São cerca de apenas 50 metros no interior da terra. A mina a céu aberto é grandiosa. Incrível o tamanho do lugar. Incrível também como uma empresa pode transformar tanto um lugar e deixar tudo abandonado. Máquinas e equipamentos virados em sucatas são avistados em vários locais. O guia poderia contar mais da história do lugar. Trazer fatos curiosos sobre o lugar.
Mina do elevador

Mina a céu aberto

Prainha
A água que desagua da barragem forma uma praia que no verão deve convidar para um banho. Em meio a duas grandes formações rochosas corre entre pedras o belo riacho. É possível avistar a descida da tirolesa e escutar o grito dos mais assustados.
Pedra da Cruz (sem cruz)
Barragem João Dias - entre a pista de arvorismo e a tirolesa

Cine Rodeio
Tamanha era a pujança da localidade que um belo prédio de madeira em estilo velho oeste abrigava o cinema. Não esqueça seu lenço no rosto para tirar uma foto ao melhor estilo nas portas que abrem como um saloom.

Bomba de combustível de 1928

Tirolesa
Uma tirolesa com 1.100 metros é o maior divertimento para os visitantes. A velocidade da descida chega aos 50Km/h. O desafio é chegar até o cume do Morro da Cruz com um restinho de folego para gritar na descida. Aliás a cruz do Morro caiu em algum temporal e não foi reposta.

Guaritas
Na estrada de terra que leva até o distrito existem formações rochosas chamadas de Guaritas. São lindas formações com aparência formidável. Lembra cenário de desenhos do Papa-Léguas. É possível contatar com moradores das proximidades que fazem parte de uma associação e poderão conduzir os interessados até o alto das pedras. O visual vale muito a pena.






Cidade
Os “restos” dessa cidade são de grande importância cultural para a região. Prédios com história. Lugares que já tiveram muita vida. Deveria ter um melhor aproveitamento turístico. É um museu a céu aberto.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Qualidade de vida no interior?



Escuto muito as pessoas falarem que morar no interior proporciona mais qualidade de vida. Será?

No interior tem tranquilidade, tem ar puro, tem pouco transito, todo mundo se conhece. Será que é disso que eu necessito?

E se eu quiser ir ao cinema? Em qualquer cidade do interior tem cinema? No interior terei acesso a boas salas com títulos interessantes? Poderei ver filmes alternativos como se tem acesso nas salas das capitais? Os lançamentos chegam no mesmo dia que nas capitais? Terei acesso a sessões de pré-estreia? Poderei ver mostras especiais? Na capital tenho acesso a isso tudo. Estas opções estão ali para meu desfrute. Se não vou é opção minha.

E se eu quiser ir ao teatro? Quantas cidades do interior tem teatro? Não é salão paroquial adaptado para alguma peça. Palco giratório Sesc, Rindo a fu, Porto Verão Alegre, Porto Alegre em Cena são algumas das mostras de teatro que não chegam ao interior. Algumas peças já são difíceis de ver na capital do Estado. No interior? Só se houve falar.

E o ar puro? Moro num bairro residencial com ruas calmas e muito arborizado. Próximo a uma área de preservação permanente. Não tenho fumaça cinza de fábricas próximo a minha moradia. Será que não tenho ar puro?

E todos os eventos e coisas que são possíveis de serem aproveitados todos os finais de semana na capital? Shows musicais, parques, feiras, exposições, eventos em shoppings, inaugurações de lojas, festas, megalivrarias, passeios. Tem alguns finais de semana que não é possível fazer tudo que a cidade proporciona. E de graça em grande parte das vezes.

E o transito? Este realmente é um problema de quem opta por dirigir um carro em uma capital. Pode ser resolvido facilmente se utilizarmos motos ou bicicletas.

Sobre todo mundo se conhecer, não vejo nenhuma vantagem nisso. Por que eu vou querer conhecer todo mundo? Para saber da vida de todo mundo? Desnecessário.

No interior o acesso a internet ainda é mais limitado que na capital. Para se acessar serviços de streaming (Netflix, YouTube, PopCornTime) é necessário ter paciência.

Tranquilidade. Acho justo termos finais de semana tranquilos em lugares bucólicos. Mas nem sempre. A tranquilidade quando vira rotina se transforma em tédio. E quem gosta de tédio?
Interior para mim não é qualidade de vida. É tédio. Tédio é um substantivo masculino. Tédio é a sensação de enfado produzida por algo lento, prolixo ou temporalmente prolongado demais. Também pode ser a sensação de aborrecimento ou cansaço, causada por algo árido, obtuso ou estúpido.
Onde tem qualidade de vida no interior?

quarta-feira, 16 de março de 2016

Quem manda nos números?

Em 2014 a maioria dos eleitores brasileiros não votou na Presidente eleita. A maioria não queria ela no Palácio do Planalto.
Vamos aos números:
5,2 milhões de votos nulos;
1,9 milhões de votos brancos;
51 milhões de votos no Aécio
Total: 58,1 milhões de não eleitores da Dilma

Dilma teve 54,5 milhões de votos e foi eleita. Não se pode dizer que foi pela maioria.

Não coloquei na conta os 30,1 milhões de eleitores que resolveu se abster de votar.

Hoje o Lula assumiu como ministro chefe da casa civil. Quem duvida que ele é que vai tomar as decisões que a fraca Dilma não toma? Que ele é quem vai comandar o País?

Detalhe: ninguém votou no Lula.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Viagem: Rio do Boi



Desde que visitei o Parque do Itaimbezinho e vi a monstruosidade daquele canyon contrastando com aquele minúsculo fio d’água correndo bem lá embaixo, a minha curiosidade para conhecer o Rio do Boi pela parte de baixo foi despertada.


E é de véspera que gosto de decidir esse tipo de passeio. Não gosto de ficar um monte de dias na expectativa. Os melhores passeios sempre acontecem quando se decide rapidamente. E foi na véspera que recebi a mensagem instigante do Marcelo da Trekking Poa dizendo que estava com a minha vaga e só precisava confirmar. Depois de uma rápida negociação em casa (rápida demais talvez) estava confirmado. Em menos de 24 horas eu estaria a caminho de um destino que eu desejava muito ir. Eu teria menos de 24 horas para sofrer com a expectativa, apreensão e o receio de não conseguir completar todo o percurso.


Às seis horas da manhã o micro-ônibus partiu de Porto Alegre com destino a Praia Grande/SC. Chegamos por volta de 10 horas, prepara roupas, mochila de trilha, confere lanche, água, faz cadastro na entrada do parque, recebe instruções da guia (só pode entrar na trilha com guia), alonga e pé na trilha.


Os primeiros 90 minutos de caminhada são no meio da mata. Uma trilha bem aberta (afinal são centenas de pessoas indo e vindo na trilha), com bastante barro, subidas, descidas, bastante barro mesmo. Ao fundo o rio já se fazia ouvir mas não se mostrava. Ao final de um último barranco a ser superado o rio do Boi nos foi apresentado.


Agora mudamos de fase na caminhada. Seguimos acompanhando a margem do rio e atravessando por ele sempre que um paredão impedia que o trajeto seguisse no mesmo lado. As travessias pelo rio são feitas com uma corrente humana. Um segura na mão do outro e se ajuda. Em alguns pontos a correnteza é forte e a água chega na cintura. O piso do rio é de pedregulhos soltos e irregulares. As travessias na água gelada amenizavam o calor, deixando o desafio mais “agradável”. Durante o trajeto o rio nos parabeniza com várias piscinas naturais e cachoeiras com águas transparentes (e geladas). Quanto mais avançamos e mais cansados vamos ficando, mais o local nos presenteia com lindas paisagens.



A sensação de estar cercado de paredes gigantes é indescritível. Você começa a olhar para a parede e ela parece tocar o céu. Eu me senti minúsculo. Se olhando de cima o rio parecia só um fio d’água, de que tamanho eu fiquei mergulhado ali?


Para chegar até o ponto de contemplação demoramos perto de 3 horas de caminhada pelo rio. Foram cerca de 10 travessias. É um ótimo teste para joelhos e tornozelos. A atenção máxima é indispensável. Mais leve por ter chegado ao final da trilha o desafio era conseguir fazer todo o trajeto de volta cansado. Não se tem muito escolha é preciso fazer o trajeto de volta antes da noite chegar.


Pra mim a volta foi bastante difícil. As minhas pernas estavam somente repetindo o seu movimento no automático. Quase não conseguia senti-las. Também estava com bastante dor na lombar. Os últimos metros da trilha e o portão do parque pareciam uma miragem que eu não conseguiria alcançar. Cumpri a meta. Posso marcar na minha lista essa tarefa como cumprida. E foi muito bom.