segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Viagem: Balneário Camboriú

Balneário Camboriú é conhecido pela badalação do seu centro, com suas várias lojas de grifes e shoppings, a imponência dos seus prédios com alguns dos mais altos do Brasil e o desfile de carros caros que desfilam pelas ruas.

Alguns famosos das revistas de celebridades sempre que possível dão sua passadinha pelo Balneário e não são raros aqueles que adquiriram seu cantinho de veraneio no local. Ferraris, Mustangs e Camaros são facilmente avistadas nas trancadas ruas da cidade. No mar iates, lanchas e jet-skis dão colorido da praia que não tem Sol a tarde devido a sombra dos grandes prédios.

Não gosta de nada disso? Balneário Camboriú tem suas belezas agrestes. Acessando a estrada Interpraias é possível conhecer algumas praias sem tanta ostentação e mais bonitas que a praia do centro. A primeira é a praia das Laranjeiras. Ela fica a cerca de 6Km do centro e tem menos de 1 quilômetro de extensão. Bares e restaurantes são encontrados. Ali não existe local para estacionar fora dos estacionamentos privados. No mês de agostos esses locais estavam cobrando R$10,00 a diária. É possível chegar no local através da utilização do teleférico que não deve ser barato mas deve compensar com um belo passeio.

Logo adiante, seguinte pela Interpraias, chegamos na prais de Taquarinhas, são mais alguns quilômetros de subidas, descidas e curvas e uma linda visão da praia que deve ter pouco mais de 500 metros de extensão. A água é cristalina e apesar de um grande condomínio logo nas proximidades a beira da praia é habitada por pescadores. A próxima praia é Taquaras que tem as mesmas características de Taquarinhas e alfuns locais para alimentação na avenida beira-mar.

A próxima praia é visualizada da estrada. A praia do Pinho é local de naturistas. Nessa praia a nudez é permitida e incentivada. Ainda não encarei essa apesar da curiosidade. Para fechar o passeio pela Interpraias ainda tem as prais do Estaleiro e do Estaleirinho. São praticamente praias particulares com o acesso até a beira mar limitado por grandes residências. Porém ainda é possível curtir a estrada e as belas paisagens descobertas a cada curva. A saída da Interpraias é próximo ao túnel da BR-101 após Itapema e antes de Balneário Camboriú. Ao todo o trajeto tem cerca de 15 quilômetros.

Ao lado norte de Balneário Camboriú após a estrada da Rainha um bom passeio é no Morro do Careca. Nesse local após um caminho íngreme, com bastante curvas e asfaltado chegasse ao mirante e local de decolagem de voos de Parapente. O esporte radical é oferecido a todo corajoso que quiser encarar. Preço: R$180,00 o passeio com cerca de 15 a 20 minutos. O passeio acontece com acompanhamento de um profissional.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Ipanema FM - Fim de uma era.

Então após ter sido deixada de lado por 30 anos, a direção de rádios da Bandeirantes resolveu dar uma olhada na Ipanema FM. Olhou e viu que a rádio não tinha nada a ver com as outras. Viu que a rádio não estava entre as líderes de audiência no geral e tampouco no segmento jovem. Aliás, em que segmento a Ipanema atuava?

A Ipanema era uma rádio feito para um nicho de ouvintes muito específico. Um nicho talvez vanguardista não disposto a aceitar o que o mercado impõe como aquilo que todos devem escutar no rádio. A Ipanema era assim.

Na Ipanema você nunca sabia o que ia tocar. Era ligar o rádio e ser surpreendido. Não tocava os sucessos populares. Tocava os seus sucessos. A Ipanema fazia seus “top hits”. Tem músicas que só tocaram na Ipanema e eram sucesso entre os ouvintes. Sua parada de sucessos não se assemelhava a parada de sucessos de outras rádios.

Os locutores nunca foram acelerados, alegres o tempo inteiro. Eram pessoas que falavam normalmente. Os locutores não simplesmente falavam o nome da música, eles também falavam o motivo de tocar aquela música, qual o contexto. Quando informavam alguma notícia os locutores passavam sua visão sobre aquele assunto e tentavam mostrar como aquilo poderia afetar o ouvinte.

A rádio que um dia foi “a rádio para quem tem algo entre as orelhas”, “a rádio dos loucos”, “a menos pior” e “a rádio ouça pra frente” não é mais assim.

São novos tempos. A direção da Bandeirantes lembrou que tinha dado um canal de rádio para uma gurizada. Lembrou que o 94,9 ficava perto da 94,3 e que se fizesse uma programação parecida poderia roubar alguns ouvintes de uma das rádios mais ouvidas de Porto Alegre. Achou que poderia se intitular a rádio rock de Porto Alegre e não perder ouvintes que sabiam como era uma rádio rock.

Hoje a Ipanema toca várias vezes durante o dia o mesmo “playlist”. O meu pen drive tem mais músicas que o da Ipanema. Hoje a Ipanema tem locutores que falam alto e rápido. Locutores que só falam o nome da música.

Entre as opções parecidas com a antiga Ipanema temos a Unisinos e a Itapema (com boa vontade). Mais que isso somente webrádios. Sugiro as rádios Putzgrila, Dinâmico, Rádio Elétrica e On The Rocks.

Ipanema, a rádio que não mais aquela, FM.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Viagem: Serra do Rio do Rastro

Para quem gosta de pegar uma estrada o passeio na Serra do Rio do Rastro é altamente recomendável. O percurso é realizado na SC-390 é caracterizado por subidas íngremes e dezenas de curvas fechadas. É um local onde é possível sentir a grandiosidade da natureza.

O trecho bacana fica entre Lauro Muller e Bom Jardim da Serra. O ponto mais alto fica a 1421 metros do nível do mar. Um dos pontos mais altos de Santa Catariana. Fiquei hospedado em um hotel muito (muito mesmo) simples logo no início da subida em Lauro Muller. O hotel até poderia ser bom devido a ótima localização e maravilhosa vista que se tem dos quartos mas não é.

Além da estrada não se tem muito o que fazer no local. No final da subida fica Bom Jardim da Serra e lá existe um centro turístico além de um hotel bom e pouco barato. Restaurante, cafeteria, loja de produtos locais e lembranças também podem ser visitados ali. Além é claro da melhor vista da serra.

É um bom passeio de 1 dia. Pode-se subir e descer algumas vezes para não deixar nenhum detalhe para trás. Além é claro da paisagem mudar a cada instante com o movimento das nuvens. Em alguns momentos, devido a esse movimento das nuvens, não é possível enxergar nada. É um ótimo passeio para se fazer de moto. São vários no motociclistas no trajeto.


Saí de Porto Alegre pela BR-101 até Criciúma. De Criciúma até Orleans, Lauro Muller e Bom Jardim da Serra. A volta foi pelo mesmo trajeto. Estrada em geral boa em todo o trajeto.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Gardiões da Galaxia

Fui assistir ao filme “Os Guardiões da Galáxia” sem conhecer os personagens dos quadrinhos. Tudo o que eu sabia é que eram da Marvel e que eram “tipo” Os Vingadores (Homem de Ferro pode aparecer nos próximos filmes dos Guardiões). Na verdade achei mais tipo Star Wars. Tem a Leia que não é princesa mas faz par com um Luke que também não sabe quem é o pai. Tem um Chewbacca que fala só uma frase o filme inteiro (diversas vezes) e tem o Han Solo que conserta as coisas e dirige a nave destemidamente e é inicialmente mais preocupado com o lucro. E tem um fortão que não pensa muito que é uma mistura de Hulk com o Coisa do Quarteto Fantástico.

Além de um espetáculo visual com efeitos especiais muito legais, personagens bacanas e uma história que fecha o filme tem ótimos extraterrestres coadjuvantes. Estes por vezes um pouco parecidos com o ambiente de Homens de Preto.

O filme conta como personagens tão diferentes acabaram se reunindo para salvar um objeto que pode destruir a galáxia (Homens de Preto novamente). Temos Peter Quill (Chris Pratt), o personagem terráqueo que abduzido quando jovem que se tornou um caçador de recompensas e que se intitula o “Senhor das Estrelas”. Drax (Deve Bautista) é o fortão da turma e quer vingança contra o vilão que matou sua família. Gamora (Zoe Saldana que deve adorar filmes em que vira um ser estranho vide Star Trek e Avatar) foi criada pelo vilão para ser uma arma. Rocket Raccoon (Bradley Cooper) é um guaxinim de laboratório e finalmente Groot (Vin Diesel) uma árvore humanoide que só fala “eu sou Groot”.

Um outro personagem de muita importância no filme é um Walkmann Sony típico dos anos 80 que vai costurando as cenas com rock e pop selecionado pela mãe de Peter em uma fita cassete. Um filme que pode ganhar novamente certa procura é Footloose, que é uma grande lenda terráquea contada no filme. Vale a pena procurar a trilha sonora.

Filme muito divertido para adultos e crianças não tão pequenas.
Tem cena pós-créditos para iniciados no mundo Marvel.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Dona Ignes



Muito próximo de uma das esquinas mais movimentadas de Porto Alegre tem um oásis de boa comida. Na Sértório, muito próximo a Assis Brasil, em frente ao Zaffari Centerlar fica a confeitaria Dona Ignes. Confeitaria? É pouco. É um centro de entretenimento gastronômico. Um local para orgias alimentares.

Bom, o lugar não tem estacionamento. As opções são a rua lateral tranquila ou o Centerlar. No caso de estacionar no Centerlar desejo uma boa aventura ao atravessar a Sertório.

Chegando à porta tem uma pessoa que abre e pergunta quantos lugares você precisa. Sim um restaurante que não é caro com “hostess”. Outra pessoa te leva até a mesa disponível. Na primeira vez que fui perguntei para o garçom como funcionava o sistema. Ele muito simpático respondeu que era só pegar um prato um e encher quanto vezes fossem necessárias. Foi ao que me dediquei.

Ao lado dos pratos encontramos alguns salgadinhos e sandwiches que são servidos na confeitaria. Um grande bufê de frutas e saladas e depois os pratos quentes. Dentre os pratos quentes encontrei: massas, cebola a milanesa, porco assado, ovo frito, arroz, lentilha, feijão, salmão, verduras cozidas, bastante coisa.

Qual a melhor parte de almoçar em uma confeitaria? Se pensou na sobremesa acertou. São várias tortas, além dos tradicional tipo sagu-pudim-arroz doce. Tem até torta doce sem açúcar (qual a graça?). Enfim, já fui duas vezes e não provei nem metade dos doces.

Além de almoço o lugar serve café da manhã e café da tarde. Ainda não experimentei.

Tudo isso de comida por módicos R$16,90. Bebidas a parte. Tem o delicioso suco de uva Tradição.

Recomendo. Muito.


Maiores informações: http://www.donaines.com.br/
Av. Sertório, Quadra 9001 - Casa 320
Porto Alegre | RS | Brasil
(51) 3340.5441 | (51) 3340.8084
atendimento@donaines.com.br

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Copa das Copas


E a Copa é sucesso de público e satisfação garantida. Pelo menos é isso o que mostram os meios de comunicação. Ao que parece estamos vivendo momentos de êxtase em todos os eventos relacionados a Copa.

Parece estranho.

Tenho a impressão de que para as pessoas que não tem contato com o evento tudo esta igual a antes.
As pessoas continuam sendo assaltadas;
As pessoas continuam nas salas de espera dos hospitais;
As pessoas continuam presas no transito;
As pessoas continuam tendo que adquirir dívidas para adquirir as coisas;
As pessoas continuam morando nas ruas;
As pessoas continuam fazendo greve e reclamando de salários;
As pessoas continuam sem professores nas escolas;
As pessoas continuam convivendo com cidades sujas;
As pessoas continuam se drogando nas esquinas.

Mas pelo menos agora temos a Copa é o que me dizem.
Será que ao invés de grandes investimentos em publicidade, construção de estádios e infraestrutura em volta desses estádios não poderíamos ter grandes investimentos em áreas básicas da pirâmide?

Sim, lembrei da pirâmide das necessidade de Maslow. Ele defendia que as necessidades de nível mais baixo devem ser satisfeitas antes das necessidades de nível mais alto. Cada um precisa "escalar" uma hierarquia de necessidades para atingir a autorrealização.

Me parece que o Brasil pulou alguns degraus dessa pirâmide para termos a impressão de que já estamos no topo dela.

Quer saber mais sobre a tal pirâmide? Acessa aqui: Pirâmide de Maslow

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Noé

A sociedade está um caos. Não existe alimentos para todos. A violência é banalizada. Tudo esta descontrolado.

 

Não estou escrevendo sobre os atuais tempos. Escrevo sobre a sociedade abordado no filme Noé. Foi essa sociedade que O Criador planeja exterminar. O filme tem diferenças com a história abordada na Bíblia. Não vou entrar nesse mérito pois não sou um estudioso das escrituras. Vi o filme como um grande filme de aventura e ficção. Sob esse aspecto o filme deixa um pouco a desejar.

 

Russel Crowe (O Gladiador) é Noé. Quando pequeno ele viu seu pai ser morto por homens malvados descendentes de Caim (o cara que matou o Abel). Pronto. O filma já pula para um Noé adulto e com filhos que vive numa terra desértica sem água (parece Tatooine planeta onde vivia Anakim Skywalker), sem árvores e com homens maus que comem carne. Noé tem uns pesadelos malucos e fica numas que é o Criador falando para ele que vai destruir tudo. Noé sai com sua família com mochilas nas costas para procurar o velho Matusalém (Anthony Hopkins – que agora só faz papel de velhos sábios) que é seu avô para se aconselhar. Lá o velho dá um chazinho maluco para Noé. Com esse chá Noé tem mais algumas alucinações e diz que tem que construir uma super arca para salvar os animais da purificação da Terra. Matusalém ainda dá a Noé uma sementinha (tipo a semente do João do pé de feijão mega power).

 

Em poucos instantes a sementinha gera uma super floresta. Tá aí  a madeira necessária para construir a arca.

 

Claro que Noé não ia conseguir construir a arca sozinho. Para isso ele contou com o apoio dos tataravós dos Transformers. Uns anjos caídos dos céus que por terem influenciado na vida dos homens foram punidos pelo criador e ficaram aprisionados na Terra. A arca é construída fica cheia de animais. Os animais são colocados para dormir por Noé com um fumacê sem explicação.

 

Os outros homens (que no filme são todos malvados e comedores de carne) tentam invadir a arca. Não conseguem. O único que entra é o mesmo malvado que matou o pai de Noé. O cara tenta matar Noé, todo mundo fica malucão dentro da arca e água desce e todos tem bondade e maldade dentro de si e o mundo começa novamente.

 

No final sobram para povoar o mundo: Noé e sua esposa, filho1 de Noé e sua mulher. A mulher do filho1 de Noé que era estéril e graça a uma cirurgia espacial feita pelo Matusalém pode ter filhos e ganha gêmeas. Os outros dois filhos de Noé terão que continuar o povoamento com as sobrinhas.

domingo, 6 de abril de 2014

Bailei na Curva

Minha peça teatral preferida é Bailei na Curva. Hoje assisti a última apresentação da temporada comemorativa aos 30 anos da estréia. Sim, chorei novamente. Deve ser a 5º vez que assisti. Sempre me emociono por motivos que não sei explicar.
Já escrevi que gosto dessa peça em 2005 (Clica aqui para ler o texto). Apesar de tanta coisa ter mudado em mim nesse tempo todo, a emoção que sinto ao assistir não mudou.

Também em 2005 assisti a apresentação da peça "O Rei da Escória" do mesmo criador de "Bailei na Curva". Gostei, citei nesse blog (aqui) e nessa postagem tenho um comentário de Julio Conte que guardo com muito carinho. No comentário ele dá a dica para acompanhar o blog Dispositivo Cênico onde conta sobre o processo de criação da Bailei.

Bailei na Curva é pra mim uma instituição tradicional de Porto Alegre. Acreditava que não havia quem nunca tivesse ouvido falar. A surpresa foi grande quando fui abordado na frente do Araujo Vianna por um casal perguntando o motivo de tanta gente por ali. Respondi que era para a peça de teatro Bailei na Curva. O homem me perguntou se era comédia e se tinha globais no elenco. Falei pra ele que a peça era boa e não tinha globais. Ele deu as costas e deve ter ido pra casa assistir o Faustão.

No final da apresentação Julio Conte emocionadíssimo conversou com a platéia. Deixou uma mensagem sobre o que ele quer mostrar mantendo essa montagem por tanto tempo. Pedro bailou na curva. Pedro queria mudar o mundo. Ele fez sua parte. Cada um de nós precisa fazer sua parte. E não precisa esperar o dia das eleições. Mudamos o mundo fazendo pequenas coisas. Mudamos o mundo com nossas atitudes diárias. Fazendo o bem no dia a dia.

Antes do fim:
Que bom poder trocar uma ideia sobre a peça na saída.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Ainda é cedo

Hoje seria o aniversário de Renato Russo. O cara que escrevia músicas no tempo em que se escrevia a letra da música e depois se musicava ela. Hoje acho que é ao contrário. Ou nem se pensa muito na letra da música. Hoje tem música com letras bacanas?

 

Bom, Renato completaria hoje 54 anos. Fez letras legais, outras nem tanto. Falava da sua vida, das suas angustias, suas felicidades. Duvido de alguém que não se identifique com alguma letra do cara.

 

Hoje me identifiquei com a letra da música “Ainda é cedo” do primeiro disco da Legião Urbana.

 

Uma menina me ensinou
Quase tudo que eu sei
Era quase escravidão
Mas ela me tratava como um rei
Ela fazia muitos planos
Eu só queria estar ali
Sempre ao lado dela
Eu não tinha aonde ir
Mas, egoísta que eu sou,
Me esqueci de ajudar
A ela como ela me ajudou
E não quis me separar
Ela também estava perdida
E por isso se agarrava a mim também
E eu me agarrava a ela
Porque eu não tinha mais ninguém
E eu dizia: - Ainda é cedo
cedo, cedo, cedo, cedo
 
Sei que ela terminou
O que eu não comecei
E o que ela descobriu
Eu aprendi também, eu sei
Ela falou: - Você tem medo
Aí eu disse: - Quem tem medo é você
Falamos o que não devia
Nunca ser dito por ninguém
Ela me disse:
- Eu não sei mais o que eu
sinto por você. Vamos dar
um tempo, um dia a gente se vê

terça-feira, 25 de março de 2014

Dando férias para o coração

Não escrevi o texto abaixo mas gostaria de ter escrito.

Retirei do site Mais de Trinta. Quem quiser olhar direto no site segue o endereço: http://maisdetrinta.com.br/colunistas/dando-ferias-para-o-coracao/

 

Voltar a estar solteiro depois dos trinta anos é uma situação para lá de estranha. As coisas parecem não se encaixar de jeito algum. Falta algo que não sei explicar muito bem. É uma mistura de duas sensações complexas: a de liberdade e a de fragilidade.
 
Repare que toda vez que um relacionamento acaba é como se você tivesse tirado um peso das costas. Por outro lado, a solidão te deixa como cachorro que caiu da mudança, sem saber para onde ir e o que fazer.
É claro que todos sabemos que o inverno não será eterno, mas mesmo assim é difícil lidar com a perspectiva aberta de um novo futuro.
 
Fiz um pequeno repasse na minha vida afetiva e tive uma revelação não muito agradável. Entre encontros e desencontros, nunca fiquei só. Desde os meus quatorze anos venho emendando uma relação em outra, com pouquíssimo espaço de tempo entre elas.
Não é que eu tenha escolhido esse caminho conscientemente. Longe disso. As coisas simplesmente acontecem. Toda vez que fico solteiro é como se um grande luminoso — escrito “Há vagas” — fosse ligado bem em cima da minha cabeça.
Sei muito bem que não sou um exemplo da beleza comercial, mas isso parece não importar muito para o tipo de mulher com quem me relaciono. Não estou fazendo uma crítica a quem prefira uma barriga de tanquinho às minhas características, todo mundo tem o direito de gostar e se sentir atraído por quem achar melhor.
É muito difícil escrever sobre o assédio constante que sofro por parte da mulherada. Pode soar um tanto quanto arrogante. Mas é a verdade, por mais incrível que pareça. Em alguns momentos até eu me questiono dos motivos que me colocam bem posicionado na prateleira.
Graças a essa chuva constante de propostas, sempre acabei dizendo sim e voltando a namorar rapidamente após cada término.
Eu simplesmente adoro vida de casal! Nunca gostei de sair a noite, costumo dormir cedo, trabalho muito, não bebo, não fumo e gosto de conhecer a pessoa com quem durmo. Como você pode observar, não sirvo para ser solteiro. Me sinto um E.T. quando acontece.
Considerando o grande volume de mulheres que têm acesso ao meu conteúdo, alguém com outra visão de mundo, em meu lugar, passaria o rodo geral. Eu prefiro me abster e evitar a fadiga, como diria o carteiro Jaiminho.
 
Acontece que talvez tenha chegado a minha hora de dar uma parada, fazer uma pausa na vida afetiva, dar férias ao coração.
São muitos anos ininterruptos de relacionamentos consecutivos. Muitas histórias, momentos de alegria e de tristeza. Nisso sempre fechei com o Roberto Carlos (se eu chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi), porém, notei que um problema grave acontece nessa rotina. Não limpamos o paladar entre uma relação e outra!
Acabamos trazendo o passado para o presente, até porque não demos tempo suficiente para que ele se assentasse em seu devido lugar. Ok, e qual o problema com isso? 
 
Explico. Quando você sai de uma relação, vários laços de confiança, intimidade e parceria estavam estabelecidos. Por pior que seja o término do relacionamento, é inegável que você tenha gerado e recebido créditos com a pessoa que estava.
Na nova relação isso não existe. Você chega zerado. Precisa conquistar a outra pessoa e, claro, ser conquistado. É aí que o problema mora.
Quando não há tempo para que você se acostume a ser um ninguém na fila do pão francês, você chega cheio de marra, parecendo que está com os créditos gerados da relação anterior. É um copo cheio que precisa ser esvaziado.
O conflito acaba sendo inevitável e há uma grande chance da nova investida ser mal sucedida, o que te levará de volta ao círculo vicioso.
Não sei por quanto tempo conseguirei permanecer solteiro, será um grande desafio para a minha personalidade, mas tentarei ficar pelo menos seis meses, pois vejo que é necessário.
Se vai dar certo, confesso que não faço a menor ideia, mas acredito que a experiência poderá me dar novas perspectivas e ampliar a noção que tenho sobre mim. 
Segundo Hermann Hesse, escritor alemão, solidão é o modo que o destino encontra de levar o homem a si mesmo. Eu voltei para a prateleira, porém, bem lá no alto, só para admirar o público fazendo compras.
Até mais.