quarta-feira, 26 de março de 2008

|236|

Hoje é aniversário de Porto Alegre. Cidade onde vivo minha vida apesar de nela não morar. Cidade que acompanho o crescimento. Cidade que acompanha meu crescimento. Porto Alegre dos cinemas. Porto Alegre da Redenção. Porto Alegre do Julinho. Porto Alegre do Laçador. Porto Alegre das árvores. Porto Alegre do Gazômetro e do Pôr-do-sol do Guaíba. Porto Alegre do ônibus de dois andares. Porto Alegre do Cavanhas. Porto Alegre dos Shows no Pôr-do-sol. Porto Alegre da rádio Ipanema. Porto Alegre da Rua da Praia. Porto Alegre do Centro. Porto Alegre do Opinião. Porto Alegre da Lima e Silva. Porto Alegre do Theatro São Pedro. Porto Alegre da sorveteria Jóia. Porto Alegre do Brique. Porto Alegre do Cais do Porto. Porto Alegre da Bicicleta. Porto Alegre do calçadão de Ipanema. Porto Alegre, meu Porto Alegre.

NAS RUAS DE PORTO ALEGRE
Porto Alegre, tuas ruas tem infinitas histórias
E em todas suas rotas, vejo o poeta e a poesia
O escrito e o escrevente, descrito nesta memória
Como o revoar das pombas, das torres da reitoria...
~
Quem me dera, seu eu fosse um filho de Veríssimo
Ou um neto de Quintana, bem que eu poderia ser
Para dar-te Porto Alegre, um verso muito ilustríssimo
E neles ilustrados as suas ruas, em seu lindo amanhecer...
~
Eu bem que poderia ser mais um ipê da Redenção
E num domingo de Bric, desfolhar-me na Bonifácio
Anunciando o outono, no final de mais um verão
Enfeitando de flores, as linhas deste meu prefácio...
~
E de lá iria com o vento, ou quem sabe ele eu seria
E assim eu correria pelo Guaíba, do Gasômetro à Ipanema
E assim atravessaria os morros da Glória até a Serraria
E em Porto Alegre eu me esparramaria, como um simples poema...
~
E minhas palavras chegariam até Moinhos de Vento
E passeariam pela Goethe até findar-se na Mariante
E esboçariam em palavras, este meu grande sentimento
Depositadas em rimas, como uma flor lapidada em diamante...
~
Porto Alegre, quem me dera sê suas ruas falassem
E no adentrar da noite, suas histórias pudesse me contar
Falaria-me dos passos na madrugada, como se cantassem
As Pegadas de Bebeto Alves, nas ondas sonoras soltas no ar...
~
Há em mim um pouco do Menino Deus, andando pela Getúlio
A também um pouco do Punk, desfilando pela Osvaldo
Há todo aquele frio do vento na Andradas nas manhas de julho
E o caminho da Farrapos, do centro até São Geraldo...
~
Porto Alegre, lá me vou pela Borges seguindo ao Beira-Rio
Ou quem sabe pela Azenha, até o Olímpico Monumental
O vermelho e o azul, equilibrando-se ao teu meio-fio
Em nestas suas sendas, a história de um outro Gre-Nal...
~
Nas tuas esquinas, meninos vendem o Correio e a Zero Hora
Trazem as notícias do que foi ontem, mas não prevêem o futuro
Ah, Porto Alegre, os meus passos eu firmo em ti agora
E observo na Mauá, o detalhe de um artista pintado no muro...
~
Ah, Porto Alegre, em tuas ruas um povo que luta e protesta
Os caras pintadas, colonos sem terra, professores e suas sinetas
Também há comemoração, tri-legal tuas ruas sempre abertas
Magia simples, casas antigas, venezianas nas venetas...
~
Porto Alegre, quem me dera morrer, e assim virar poeira
Esparramando-me pelas solas dos sapatos, nas noites sem lua
Assim estaria nos seus caminhos planos, até em suas ladeiras
E me eternizaria feliz, nos ladrilhos de suas ruas ...
MARCO RAMOS

terça-feira, 18 de março de 2008

|CQC|


Sempre fui fã do Marcelo Taz, desde os tempos em que ele apresentava o Vitrine na Tv Cultura.

Ontem estreou na Band um novo programa “cômico-jornalistico” na Band chamado Com Qualquer Custo, ou simplesmente CQC. Achei muito interessante e inovador. Apesar de por vezes ser parecido com algumas coisas que já vimos. Eles se parecem um pouco com o Pânico, fazem perguntas pertinentes e incomodam os entrevistados , porém, sem cair no besteirol. Eles se parecem com um antigo quadro que o Alexandre Garcia tinha no Fantástico dos bastidores da política, porém mais ácidos. Eles se parecem com o Casseta e Planeta sob o aspecto de ser uma grande equipe de engraçados porém, sem cair na malha fina da Globo. É inovador por misturar tudo isso e ficar legal. É inovador porque é um formato que já existe há bastante tempo na Argentina e os outros é que copiaram deles.

Destaque para o repórter Rafinha Bastos, gaúcho, que fez uma reportagem sobre a poluição nas águas de São Paulo. Ele foi procurar uma solução e mostrou como é difícil conseguir falar com uma autoridade. Depois de várias tentativas, conseguir falar com alguém, derrubou água de esgoto na mesa do importante, colocou um vaso sanitário na recepção do lugar, abaixou as calças e sentou ali e raptou uma planta, que prometeu devolver assim que o problema estivesse resolvido.

Enfim, é jornalismo com comédia. Talvez eles incomodem um pouco os políticos mostrando os políticos como eles são. O programa já é sucesso na Argentina, Chile, Espanha e Itália, inclusive foi a pedra no sapato, ou melhor, a mosca na sopa dos últimos Presidentes Argentinos.

O programa é transmitido todas as segundas a partir das 22:45 na Band.

Antes do fim:

Destaque para a trilha sonora do programa,.teve Metálica, Ramones e bastante rock. Ponto negativo para a câmera nervosa que não é necessária.
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quinta-feira, 13 de março de 2008

|Lotado|

Incrível como tem dias em que não deveríamos sair de ônibus. Ontem foi um dia desses. Logo cedo o ônibus que eu estava ficou preso em um congestionamento. Os carros da avenida não se moviam. Logo descobrimos o motivo da confusão, um motoqueiro estava estendido no chão, junto aos pneus de outro coletivo. Ainda bem que não era o meu! Motoqueiro no asfalto já é quase banal, só dá notícia no Diário Gaúcho, o jornal da maioria...

No final da tarde, quando saí do trabalho, peguei o ônibus que deve ter batido o recorde de número de pessoas por m². Que ônibus mais cheio! Não via a hora de descer logo dele para me deliciar em um outro ônibus com uma lotação normal e cumprir meu trajeto de retorno ao lar. Era tanta gente neste ônibus que acho que ele ficou quase dez minutos parado até que todos os interessados em desembarcar conseguissem se organizar e chegar até a porta. Como a gente perde tempo dentro de ônibus...

Consegui descer e estava me dirigindo para a outra parada quando repentinamente surge o ônibus que eu queria pegar, vaziuzinho da Silva. Corri e é óbvio que não consegui alcançar o ônibus. Tive que ficar na parada esperando o próximo. O bom é que pude descansar bastante da minha tentativa frustrada pois o próximo ônibus só apareceu depois de uns 20 minutos. Cheio é claro. Então lá fui eu ficar espremido no corredor do meio do coletivo. Braços pra cima, pendurado no corrimão. Mal tinha espaço para colocar um pé no chão, quem dirá os dois.

Finalmente cheguei ao meu destino, sã, salvo e fedorento. O trajeto da minha casa até o trabalho feito por transporte coletivo demora uma hora e quarenta minutos. O mesmo trajeto de carro é feito em 20 minutos... mas não daria um post...

Antes do fim:
É como se eu estivesse em BH
Pegando um balaio lá pra casa
Do paulinho pra mais um ensaio
Da Savassi pra Pampulha
Com um trânsito danado
Na Avenida Catalão
É como se eu tivesse em Salvador
Num calor retado no buzu de Piripiri
Como se eu tivesse em Porto Alegre
Pegando um baita frio
Dentro de um bus pro Nonoai
Como se eu tivesse em São Paulo
E tivesse que ir de bumba
de Carapicuíba a Itaquaquecetuba
Ficando só de pé
Ou enquadrando a bunda
Desesperado pra chegar

Ônibusfobia – Jota Quest

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segunda-feira, 3 de março de 2008

|Onde os Fracos não tem Vez|

Estou a um tempão sem escrever nada por aqui. Realmente andava sem tempo. Fiz várias coisas durante este tempo, mas o que me fez sentar em frente a esta tela foi o “Onde os Fracos não tem Vez”. Aliás, mais um filme com o título mal traduzido. O nome deveria ser algo do tipo “Não há lugar para os velhos”, isso descreveria melhor a essência que eu encontrei no filme.

Tudo começa com uma locução de Tommy Lee Jones (ganhou o Oscar em O Fugitivo) contando do tempo em que nem o Xerife precisava usar armas. Ele é o xerife da localidade. Um caçador (Josh Brolin – participou de O Gangster e de Os Goonies) encontra um massacre no meio do deserto, um desacerto por causa de drogas. Resultado: ele encontra uma mala com 2 milhões de dolares. Um assassino louco (Javier Bardem de Mar Adentro) que carrega uma pistola presa a um cilindro de ar comprimido quer a mala. E a caçada inicia.

Em meio a caçada, uma ótima fotografia, cenas de violência, tiros, bastante sangue, crueldade e ótimos diálogos. Destaque especial para o diálogo do assassino com um dono de armazém de beira de estrada. Dono de armazém este que é obrigado e apostar em um jogo de cara ou coroa, um jogo intenso e nervoso, impensável para um cara ou coroa.

Ao final o título é justificado, os tempos são outros. As drogas dominam, o dinheiro corrompe a todos, os jovens tem cabelos verdes e até mesmo o Xerife é obrigado a usar armas.

Antes do fim:
Não deixe de assistir também ao filme “O Gangster”. Uma dupla de protagonistas milionária e oscarizada formada por Denzel Washington (Dia de Treinamento) e Russel Crowe (O Gladiador) e dirigida por Ridley Scott (Alien - o Oitavo Passageiro, Hannibal, Cruzada, Gladiador). Deveria ter ganho algum prêmio da Academia.


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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

|Cloverfield|


Seguindo a mesma idéia de lançamento do filme A Bruxa de Blair, foi feita uma grande campanha divulgando a data de 01-18-08 como sendo o dia em que aconteceria algo grande. Antes do filme Transformers passou um trailler intrigante sem o nome do filme, apenas com imagens estranhas, a fatídica data e o nome de J.J. Abrams. Na Internet, nos fóruns de discussão das séries Lost e Heroes, não se fala em outra coisa e o motivo é o produtor do filme ser o mesmo de Lost e um dos atores ser o mesmo de Heroes. Séries estas cobertas de mistérios e lacunas, com várias pistas deixadas pela Internet. Seria Cloverfield uma pista gigante?

Vamos a história
Tudo começa com a informação de que o filme foi encontrado em uma área anteriormente conhecida como Central Parque. A câmera fica o tempo inteiro nas mãos de um dos atores que fala o tempo inteiro que esta documentando tudo. A imagem treme, fica escura, a câmera cai e o único momento em que a imagem fica menos nervosa é quando ela é colocada no chão. Igual Bruxa de Blair.

Tudo esta indo bem em uma festa de despedida quando algo começa a destruir Nova York. Ninguém sabe o que é, a cidade começa a ser evacuada, todos correm tentando se salvar ou tentando salvar alguém. Igual Gerra dos Mundos.

A partir de determinado momento ficamos sabendo que um monstro enorme é o causador de tudo. Igual Godzilla. Se quiser saber um pouco mais sobre os antecedentes da história, clica aqui. Nos momentos em que a imagem falha, temos contato com uma gravação antiga feita pelo dono da câmera durante um passeio com uma “amiga”. Estas imagens são fundamentais para o final do filme.

Pessoas vão dizer que o filme é ótimo, já outras pessoas vão dizer que o filme é terrível. Achei o filme bastante interessante. Talvez vire uma tendência os filmes primeiro gerarem uma expectativa através da Internet para depois serem lançados no cinema. Os fãs das séries sem resposta vão querer encontrar alguma coisa no filme. Há quem diga que viu os logotipos da Fundação Dharma no filme.

Antes do fim:

Acho que o pior que começar um post é acabar. Deve ser igual com filmes tipo Cloverfield, A Bruxa de Blair, Guerra dos Mundos, Jogos Mortais, O Chamado. Por isso acabo aqui, sem fim.

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terça-feira, 29 de janeiro de 2008

|Eventos|

O ruim de ficar um tempão sem escrever nada é que fica um monte de assunto pendente. Fica difícil saber por onde começar e lembrar de tudo, ainda mais que eu fiz algumas coisas bem legais.

Paulinho Moska e Kevin Johansen
Moska era do conjunto Inimigos do Rei (tem que ter mais de 25 anos para lembrar) e Johanstein é um Argentino, criado no Alaska, que viveu em Nova York e faz música com bastante influência brasileira. Os dois formam um belo dueto de violão e voz. Músicas penetrantes em português e espanhol. Os dois têm um ótimo carisma e senso de humor. E o show ainda foi por conta da Bandnews FM.

Tributo ao Tim Maia
Evento de lançamento do livro Tudo ou Nada de autoria do Nelson Mota com um belo show da banda Tributo a Tim Maia. O vocalista da banda, Jorjão (já tocou com um monte de banda de Porto Alegre), é muito parecido com o Tim. Tocaram vários sucessos do Tim. Foi um show emocionante tinha bebida, comida, manobrista e era de graça.

Meu nome não é Johnny
Devido a propaganda feita, esperava mais do filme. Achei uma mistura de coisas que deram certo no cinema nacional. Tem um pouco de Cazuza, um pouco de Carandiru, um pouco de Tropa de Elite. O tão elogiado Selton Melo não esta muito diferente de outros papéis já feitos, tem um pouco de cada personagem já encarnado por ele. Vai fazer sucesso na Tela Quente.

Entre Tapas e Beijos
Peça teatral participante do projeto Porto Verão Alegre. Interessante por ser uma apresentação muda. Mostra o que acontece a um casal depois de um final de relacionamento causado por uma desastrosa noite no motel. A montagem tem uma boa trilha sonora para acompanhar os gestos dos atores. Mais uma cortesia da Bandnews FM.

Antes do fim:

O melhor Cachorro-quente de Porto Alegre ainda é o Cachorro do Bigode, o melhor suco é da Lancheria do Parque, o melhor sorvete é o da Sorveteria Jóia. E como é bom ficar até altas horas falando besteira, comendo, bebendo Coca-cola gorda, cantando e tocando violão com boas pessoas.



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terça-feira, 8 de janeiro de 2008

|O Começo|

Estou devendo um post explicativo sobre o meu final de ano que aconteceu no dia 21 de dezembro.
No post do dia 21 de novembro escrevi algumas palavras de motivação e esperança que deixaram alguns leitores curiosos.
Vamos nos superar
E não desistir
Fazer algo nunca antes feito
Tentar quebrar barreiras e limites
Milhões de executivos
Fazem isso o tempo inteiro
Seja uma criança sempre lépida e faceira
E agora, junte-se ao levante
Finalmente duas semanas após o meu final de ano, tive uma resposta. Positiva.
Se o homem deve caçar
Para evoluir
Encare como evolução da espécie
Como se fosse um culto religioso
Milhões de executivos
Fazem isso o ano inteiro
Tire do cabide o melhor traje de domingo
Sem demora, vista-se e levante
Fui finalmente contratado, assinaram a minha carteira de trabalho. Agora sou empregado, deixei de ser estagiário.
Todos juntos no bar Lá-lá-lá-lá!
Vamos celebrar Lá-lá-lá-lá!
Brindem copos no ar Lá-lá-lá!
Vamos comemorar!
Depois de 5 anos sem nem mesmo tirar férias, trabalhando nas mais diversas atividades, aguentando as mais diversas coisas, passando pelas mais diversas situações, finalmente terei todos os benefícios que o Senhor Getulio Vargas me autorizou a ter.

Antes do fim:
Musica incidental
Isso é Que é Sábado!
Bidê ou Balde

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sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

|Antes que o ano acabe|

Certa noite de chuva

Chovia muito no último dia em que vi meu pai.
Eu estava com oito anos de idade e padecia na cama com 40ºC de febre. Amígdalas.

Meus pais tinham se desquitado havia já alguns meses.
Eu, meus irmãos e minha mãe morávamos num apartamento de um quarto na Assis Brasil. Ele foi nos visitar e deparou comigo tiritando sob a coberta.

Lembro com nitidez daquela noite, dele parado à soleira da porta do quarto, de pé, olhando-me, e minha mãe ao lado, com o papel da receita do médico na mão. Ele tomou a receita e ofereceu-se para ir à farmácia. Deu as costas para o quarto, mergulhou na escuridão do corredor e foi embora. Nunca mais o vi.

Logo depois ele se mudou para outro Estado, no Centro-Oeste, e lá construiu o resto da sua vida. Um dia de 2001 alguém me disse:

- Teu pai morreu ontem.

E eu não sabia o que sentir.

Não conto essa história com ressentimento. Porque acho que entendo o que aconteceu com meu pai, naquela noite de chuva. Ao sair do apartamento, ele de fato tencionava comprar os remédios.

- Vou comprar dois de cada! - recordo que disse.

Mas meu pai era alcoolista. Na rua, deve ter cruzado pela porta de um bar, ou com um amigo, e parou para beber. Quando deu por si, era tarde para ir à farmácia e tarde para desculpar-se. Continuou bebendo, gastou todo o dinheiro e, no dia seguinte, envergonhado, preferiu não dar notícias. Assim passou-se um dia, e outro, e mais outro. De repente, havia transcorrido tempo demais para voltar atrás ou para dar explicação. Meu pai não enfrentou a própria vergonha, isso não é incomum. Acontece. É compreensível.

O que sempre me enfeitiçou nessa história, que, afinal, é parte da minha própria história, não foi o detalhe da desistência do meu pai. Não foi o abandono. Foi o momento em que meu pai decidiu entrar no bar. Uma decisão tão aparentemente irrelevante, tão fácil de ser tomada, dar dois passos da calçada em direção a uma porta aberta, e, ao mesmo tempo, uma decisão tão crucial. Fico pensando em como a vida é repleta dessas pequenas deliberações que podem alterar rumos e mover destinos. Fico pensando em todas as palavras espinhosas não ditas, nas vezes em que o sinal amarelo não foi cruzado, em que o gatilho não foi apertado, em que não liguei para ela, nas chances que deixei passar, e nas vezes em que fiz tudo isso, por bem ou por mal. Um passo, uma palavra, um gole, um pedido de perdão que não foi feito, e tudo muda. Mudou para meu pai. Mudou para mim. Neste fim de ano, o que desejo a todos é isso, que o passo seja certo, que a palavra seja macia, que o gole valha a pena, que o perdão seja pedido. E concedido.



Antes do fim:
O texto acima é de David Coimbra. Ficará fixado aqui como um incentivo de que neste ano que chega, as pessoas possam fazer as coisas da maneira correta. E quando não for possível fazer da maneira correta, corrijam a tempo de não criarem feridas.

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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

|Fotografia|

Hoje estava descarregando algumas fotos da máquina digital e fiquei pensativo... que coisa mais sem graça é tirar fotos hoje em dia. Bom é receber fotos que nem sabíamos que haviam sido tiradas.

Como era interessante aquela época em que as pessoas posavam para a foto e só descobriam se a foto realmente ia sair depois de revelado o filme. Ficava aquela expectativa.

Uma vez, antes do tempo do Julinho, na época do Isabel, fomos visitar alguns pontos turísticos de Porto Alegre em uma excursão do colégio. Eu gastei um filme inteiro tirando fotos dos colegas e dos lugares que visitamos. Todas as fotos queimaram.

A algumas semanas atrás eu fui acampar com o Grupo Escoteiro e tiramos uma foto igual aquela que foi tirada no finalzinho do filme "A Praia" em que todo mundo pula na hora de bater a foto na beira da prais. Tiramos esta foto em uma máquina à moda antiga. O filme ainda não foi revelado. As pessoas ficam curiosas e perguntam se o foto já ficou pronta. Tem uma expectativa.

Hoje para se ver um album de fotografias é necessário um computador ou uma TV conectada a um DVD ou algum outro mecanismo parecida. Senta todo mundo na frente e olha todo mundo junto, não tem o album passando de mão em mão. Não sei o que é mais legal. Eu na verdade nunca gostei muito de olhar foto.

Talvez passar o album de mão em mão renda mais histórias. Sempre tem aquela foto que para na mão de alguém e este alguém conta uma história sobre o dia em que a fotografia foi batida ou lembra quem bateu a foto. E sempre são boas histórias. É dificil lembrarmos de coisas ruins olhando fotos.

Escrevi isso porque hoje escutei uma música que me fez pensar em fotos.

Antes do fim:

Fotografia

Composição: Leoni, Léo Jaime

Hoje o mar faz onda feito criança

No balanço calmo a gente descansa

Nessas horas dorme longe a lembrança

De ser feliz

Quando a tarde toma a gente nos braços

Sopra um vento que dissolve o cansaço

É o avesso do esforço que eu faço

Pra ser feliz

O que vai ficar na fotografia

São os laços invisíveis que havia

As cores, figuras, motivos

O sol passando sobre os amigos

Histórias, bebidas, sorrisos

E afeto em frente ao mar.

Quando as sombras vão ficando compridas

Enchendo a casa de silêncio e preguiça

Nessas horas é que Deus deixa pistas

Pra eu ser feliz

E quando o dia não passar de um retrato

Colorindo de saudade o meu quarto

Só aí vou ter certeza de fato

Que eu fui feliz

O que vai ficar na fotografia

São os laços invisíveis que havia

As cores, figuras, motivos

O sol passando sobre os amigos

Histórias, bebidas, sorrisos

E afeto em frente ao mar.

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terça-feira, 11 de dezembro de 2007

|Naquele tempo do Julinho|

Teve aquela vez da viagem de final de ano do colégio. Passamos o ano inteiro discutindo onde seria ser a nossa viagem de Formatura no segundo grau. Programamos os lugares mais bacanas possíveis. Começamos com o sonho de consumo de grande parte dos formandos na época: a Ilha do Mel. Todo mundo mobilizado, vendendo rifa, pesquisando ônibus, agência de turismo, tudo certo. O dinheiro não deu.

Plano B.
Surgiram diversas alternativas de viagem para vários outros lugares. Não seria a mesma coisa, o pessoal já não estava com tanta vontade. A turma se desmobilizou, não queria mais fazer a viagem de final de ano. A formatura ficaria só pela cerimônia mesmo, sem grandes atividades.

A solução
Vamos ver quem esta querendo mesmo, juntamos um dinheiro e alugamos uma casa. Certo! Onde? Em Mariluz, uma prainha perto de Imbé. Pra quem ia passar o final de semana na Ilha do Mel, Mariluz esta de bom tamanho.

Acabamos indo em uma meia dúzia de colegas mais legais para uma casa simples em Mariluz. Choveu, a casa alagou, mas foi um dos finais de semana mais legais da minha adolescência. Até hoje lembro.

Turminha boa que se separou. Nunca mais conseguimos nos reunir. Nem bem nos falamos mais...

Antes do fim:

Carro e Grana - Leoni

Houve um tempo em que tudo girava ao meu redor
Dos meus desejos e vontades
E todo mundo ria de tudo que eu dizia
E eu dizia um monte de bobagens
Eu achava que tinha de tudo para sempre
Que eu tinha amigos de verdade
Mas a verdade sempre vem bater à porta
A gente tenha ou não vontade

Já tive carro e grana
E um monte de convites pra qualquer lugar
Hoje eu só ando a pé
Mas eu continuo a andar

E aquelas pessoas que andavam ao meu redor
Hoje escolheram uma menina
Que por enquanto acredita em tudo que eles dizem
É a mesma história toda vida
O que eu sei eu sei que ela só vai descobrir
Quando ela sair de moda
Um tropeço ensina mais do que o sucesso
E é tudo bem mais claro agora

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