quarta-feira, 16 de setembro de 2009

|Definindo|

Em tempos de semana e acampamento farroupilha que, segundo o jornalista Previdi do www.previdi.com.br, deveria se chamar acampamento imperial tendo em vista que Porto Alegre foi "mui leal e valorosa" ao império brasileiro, resistindo ao certo dos farroupilhas, segue abaixo a Definição do Gaucho:

Definindo o Gaúcho
Antônio Goulart*

1

Gaúcho é teimoso como capim: depois de morto rebrota.
Gaúcho macho não chupa mel, mastiga a abelha.
Gaúcho não monta sem chapéu, sem relho ou sem laço.
Gaúcho não mente: conta vantagem, garganteia.
Gaúcho, mesmo desarmado, anda sempre de faca na bota.
Gaúcho não usa tatuagem, só marca na paleta.
Gaúcho não se deprime, fica de orelha murcha.

2

Gaúcho não se descontrola, perde os estribos.
Gaúcho não fica irritado, sai de lombo duro.
Gaúcho não fica triste, fica abichornado.
Gaúcho não foge, abre o pala.
Gaúcho não é orgulhoso, só não cabresteia para qualquer um.
Liberdade para gaúcho é andar de rédea solta.
Gaúcho não se entrega, afrouxa os garrões.

3

Gaúcho não pede dinheiro emprestado, dá uma facada.
Mulher de gaúcho anda sempre de rédea curta.
Valentia de gaúcho e dinheiro de paulista têm de ser conferido.
Gaúcho não monta sem bater no lombo do cavalo.
Gaúcho não fica em apuros, fica no mato sem cachorro.
Em briga de gaúcho, quem morre é o boi.

* Antônio Goulart é jornalista.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

|Na faixa|

Muito legal a campanha da Prefeitura de Porto Alegre para que respeitem a faixa de segurança.

Orientações retiradas do site da campanha:
Porto Alegre tem um novo sinal de trânsito. Ele é fácil de fazer, fácil de entender e veio para melhorar o nosso dia a dia, ajudando o pedestre a atravessar a rua na faixa e deixando o trânsito da cidade mais seguro para todos.

Pedestre
Atravesse na faixa. E faça o novo sinal. Quando você estiver caminhando pela cidade, use sempre o novo sinal para atravessar na faixa. Ele funciona como um diálogo entre você e o motorista, sinalizando que você deseja atravessar.

Onde tem sinaleira, respeite a sinaleira. Normalmente, as sinaleiras estão em lugares onde circulam muitos carros. Nesses locais, é a sinaleira que indica a hora de atravessar, por isso o novo sinal não deve ser feito. É essencial respeitar o que indica a sinaleira e esperar a sua vez para atravessar com segurança.

Para atravessar onde não tem faixa, preste atenção. Se tiver uma faixa de pedestres a 50 metros ou menos de onde você está, atravesse na faixa. É mais seguro e garante mais harmonia no trânsito. Onde não tiver faixa por perto, lembre-se: olhe para os dois lados, atravesse em linha reta e sem correr.

Onde não tem faixa de pedestres, não faça o sinal. O trânsito é para todos e você tem preferência na faixa. Onde não tem faixa de pedestres, o novo sinal não deve ser feito.

Motorista, motociclista, ciclista
Ao ver pedestre na faixa, pare e dê a preferência. Respeitar a faixa é mais do que gentileza, é lei. Uma lei que nasceu para deixar o trânsito melhor para todos. Quanto mais a faixa for respeitada, mais será usada pelos pedestres, tornando o trânsito cada vez mais organizado.

Reduza a velocidade perto de faixas de pedestres. É mais fácil enxergar o pedestre fazendo o novo sinal. Além disso, evita freadas bruscas que podem comprometer a condução do motorista que está no veículo de trás.

Pare antes da faixa. Dessa forma, o pedestre tem a certeza de que você vai dar a preferência para que ele atravesse a rua.

Espere o pedestre atravessar. Somente arranque o seu veículo depois que o pedestre atravessou completamente a rua.

Seja prudente no trânsito. Não corra, diminua a velocidade ao se aproximar da faixa de pedestres e sempre fique atento ao veículo de trás.


Não raro fico com raiva de algum motorista que finge que a faixa de segurança não existe. Cheguei a pensar inclusivo que todas as faixas fossem apagadas tamanha a inutilidade delas em Porto Alegre.

Uma vez, em pleno domingo de sol na avenida Oswaldo Aranha eu estava atravessando na faixa e um taxista parou quase nos meus pés. Em cima da faixa. Não tive dúvida, dei um safanão na cabeça do motorista. O cidadão ficou muito brabo e queria vir pra cima de mim. Eu ia encarar o motorista mas acabei sendo puxado dali. Tenho certeza que aquele taxista lembra de mim na faixa de segurança.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

|Amanhã, não fará diferença|

Em meio as comemorações da Indendência do Brasil, o grande feriado Nacional, assistindo a alguma reportagem sobre os desfiles marciais (que não sei para que servem) lembrei que ontem fui assistir ao show do Arthur de Faria e Seu Conjunto no Teatro de Arena em Porto Alegre. Lembrei hoje de uma música em especial. Uma música que na verdade é a adaptação de um poema de Daniel Galera.

Daniel Galera é o autor do livro que originou o filme Cão sem Dono, sobre o qual já escrevi alguma coisa quando ocorreu o lançamento. O poema é de uma sensibilidade que me fez pensar em coisas que já penso. A música serviria de trilha para todas as viradas do ano. Pelo menos hoje serve (infelizmente). O poema é uma oração. Uma breve oração de virada de ano. Serve para pensar no orgulho nacional do sete de setembro e todas as coisas que nos fazem ficar tão orgulhosos de nosso estado humano frágil.

Breve Oração de Virada de Ano
(Arthur, sobre poema de Daniel Galera)

"Dentes guardados. Não acabam nunca se guardados. Na boca apodrecem."
(Hilda Hilst, "Com os meus olhos de cão")

Deus, por favor não mais permita que os cachorros me dirijam olhares tristes por trás das grades do jardim das casas.
Deus, poupe-me também dos olhares tristonhos das empregadas que contemplam a cidade apoiadas nas sacadas dos prédios.
Tira, por favor, de todos os asilos, os adesivos do Ecco Salva afixados nas paredes.
Que as vastas platéias de cinema sejam ocupadas sempre por uma única pessoa, e que na saída do filme chova invariavelmente.
Bota fim, deus, a esse constrangimento injustificado que faz com que as pessoas desistam de foder e dar abraços, mesmo quando elas sabem que isto seria necessário.
Convence a todos da impossibilidade do amor, e observa enquanto descobrem o amor como a única possibilidade.
Quanto aos pecados capitais, peço que tornes a Gula compatível com a Vaidade, a Preguiça compatível com a Avareza, a Ira compatível com a Inveja, e que a Luxúria soterre as anteriores.
Acabe com a Aids, deus.
Que todos tenham plena consciência de que vão morrer definitivamente, e que na hora da morte não possam evitar um breve sorriso de desobediência infantil. E conserva os dentes dentro de nossas bocas,para que apodreçam conosco.
Que persista no tempo apenas aquilo que fomos capazes de criar.
Peço que amanhã de manhã, deus, eu seja acordado com o peso familiar de um certo corpo em cima do meu.
Que o sol invada minha barraca brando, resignado.
Então será o ano 2000, mas não fará diferença.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

|Zero|

Fim do mês batendo a porta, escuto hoje na Ipanema a música do Mundo Livre S/A. Lembrei que que o meu saldo bancário é zero vírgula, zero, zero.

Saldo de Aratu

Mundo Livre S/A
De vez em quando é bom falar dos fracassados.
Me acordo pensando... me acordo pensando
Me acordo pensando em comer salada
As nove em ponto recebo o papel do banco
Dizendo que eu não tenho nada
Um zero vírgula dos zeros
Zero vírgula, zero, zero

Me deito pensando... me deito pensando
Me deito pensando em minha namorada
Mas logo na memória serei três dígitos
Sinalizando quanto resta
Me lembro que eu não valho nada
Zero vírgula, zero, zero

Eu já entendi, eu já entendi
(Zero vírgula, zero, zero)
Não precisa insistir, pra que insistir?
(Zero vírgula, zero, zero)
Mal, mal! Eu sei que eu to mal!
(Zero vírgula, zero, zero)
Olha aqui o aratu! Olha aí meu saldo atual

sábado, 25 de julho de 2009

|Inverno|

O inverno é capeletti, é lareira, é beijo quente, é pantufa, é moletom em casa, é mãos congelada, é luva, é chá a toda hora, é chocolate, é quilos indesejáveis, é da casa pro trabalho e vice-versa, é vinho, é pele sem bronzeado, é o cinza dos dias. É o quentão de hoje e gripe de amanhã, é veludo, é tricô, é bota, é manta, e pessoas desfilam bem vestidas pelas ruas...

Antes do fim:
Tirei daqui: http://www.sabrinaortacio.blogspot.com/

terça-feira, 30 de junho de 2009

Pronto falei

Morei por 20 anos em Viamão. Fui pra lá junto dos meus pais em 1988. Fui levado na mudança, junto com o guarda-roupa, a geladeira e a máquina de lavar. Não me lembro de ter sido consultado sobre a minha vontade. Também nem tinha vontade, com a idade que tinha só me restava ir.

Chegando à cidade logo vários vizinhos vieram oferecer suas amizades. Eles adoravam minha bicicleta e meu autorama. No colégio a diferença foi grande. Os colegas e professores achavam que eu era repetente pois já sabia toda a matéria. Onde eu morava antes freqüentava uma ótima escola particular, tinha bolsa de estudos, bons colegas e uma faixa de Primeiro Gaucho da 3ª série. Fui para um lugar longe de todos e de tudo.

Tive que crescer em Viamão, desviando dos maus elementos que sempre andavam por perto e aprendendo com os maus exemplos que tive que presenciar. Alguns maus exemplos perto demais. Fiz alguns poucos bons amigos, bem poucos na verdade. Tentei me divertir. Esperei o temo passar. Não pertencia aquele lugar.

Logo que pude fazer escolhas, escolhi ficar longe de Viamão. Estudei o Ensino médio em uma escola bem bacana, comecei a trabalhar em Porto Alegre e realmente só ia pra Viamão pra dormir. Porém, tenho que dar o braço a torcer e dizer que uma Xucra de Viamão me conquistou.

Desde dezembro de 2008 eu e a Aline estamos morando no nosso lar em Porto Alegre. É incrível como eu sou resistente em ter que voltar a Viamão. Vou de vez em quando porque algumas coisas ficaram lá. Mas cada vez que encontro aquele lugar me bate uma coisa que não explicar exatamente o que é. Só sei que depois de certo tempinho tudo o que eu quero é sair de Viamão e voltar pra o meu lugar. Começo a sentir uma indisposição, uma tristeza e um mau-humor que não sei de onde vem.

Antes do fim:
Retrovisor é passado
É de vez em quando... do meu lado
Nunca é na frente
É o segundo mais tarde... próximo... seguinte
É o que passou e muitas vezes ninguém viu
Retrovisor nos mostra o que ficou; o que partiu
O que agora só ficou no pensamento
Retrovisor é mesmice em dia de trânsito lento
Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas
Mostra as ruas que escolhi... calçadas e avenidas
Deixa explícito que se vou pra frente
Coisas ficam para trás
A gente só nunca sabe... que coisas são essas
Teatro Mágico

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segunda-feira, 25 de maio de 2009

|Notícias|

Cinco semanas sem escrever nada. Não que não tenha acontecido nada, na verdade aconteceu muita coisa. Ainda é um tempo de transição pra mim. Casa nova, novas atividades e compromissos no trabalho, final da faculdade, fazer compras, dormir com a Aline todas as noites.

Bastante coisa acontecendo junto e muito rápido. Mas esta tudo muito bom. Melhor do que eu poderia imaginar que seria. Claro que existem os contratempos, as dificuldades e as discussões. No final das contas o saldo esta sendo positivo.

Andei fazendo uma revisão da minha saúde. Não esta muito bem. Estou tomando alguns cuidados e a Aline esta dando um apoio fundamental.

Antes do fim:
Um grande amigo meu casou. Na igreja com festa e lua-de-mel. Conheço ele faz um baita tempão. Ele tinha mais cabelo e menos barriga. Eu menos cabelo branco e menos barriga. O tempo passa...


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segunda-feira, 13 de abril de 2009

|A vida até parece uma festa|

Já que ganhei ingresso da rádio PopRock fui assitir ao salgado show dos Titãs no Bourbon Country. A Aline teve que pagar os R$60,00 do ingresso para me acompanhar. O sacrifício não foi tão grande.

Os Titãs mostraram em Porto Alegre parte dos maiores sucessos dos seus quase 30 anos de carreira. O show reuniu fãs das mais variadas idades, mesclando novos e antigos admiradores. Os cinco remanescentes da banda (Branco Mello, Charles Gavin, Paulo Miklos, Sérgio Britto e Tony Bellotto) mais dois músicos de suporte, mostraram uma forma rockeira do seu show sem instrumentos desnecessários. Foi a já consagrada união de guitarras, baixo, bateria e som alto que garantiu o sucesso da apresentação.

O show mostrou um pouco de cada fase da banda. O início foi morno com a platéia fria. Diversão e Flores abriram o show. Em seguida, o cover de Roberto Carlos, O Portão, esfriou mais ainda o público, levando uma série de músicas mais suaves em sequência, terminando com a já clássica Epitáfio – cantada em coro pela mulherada. Dava vontade de sentar no chão.

Miklos começou a salvar o show brincando com o bairrismo dizendo que os Titãs gostariam de ser uma banda de rock gaúcho. Se o público estivesse em sintonia com o palco seria inevitável o famoso "Ah eu sou gaúcho!" Depois disso os Titãs começaram a encontrar o tom e iniciou a melhor parte do show, com as músicas mais pesadas, interpretadas pelo sempre irreverente Miklos. Entre elas Vossa Excelência e Bichos Escrotos.

O microfone passou para Britto e vieram AA UU e Polícia. A primeira parte do set list terminou com o primeiro sucesso da banda: Sonífera Ilha. No primeiro bis, o dispensável cover de Paralamas, Lourinha Bombril e É preciso Saber Viver, para delírio dos fãs do Roberto Carlos de plantão.

Para encerrar uma apresentação não muito mais do que legal, a banda surpreendeu tocando o pulso e encerrou com Comida.

O show do Nando Reis é melhor que o show dos Titãs.

Antes do fim:
Para quem não foi no show, ou pra quem foi e quer mais Titãs, vale a pena assistir no cinema o documentário "A vida até parece uma festa", com gravações de bastidores de todas as fases da banda, organizados pelo Branco Melo.

19433

segunda-feira, 6 de abril de 2009

|Mobilização|

Tenho dificuldade para entender a forma como as pessoas arrumam tempo para certas coisas. No último sábado, dia 4 de abril foi comemorado o centenário da fundação do time do Inter em Porto Alegre.

Para marcar a data foi marcado uma caminhada que ia do local da fundação até a atual sede do clube. Milhares de pessoas mobilizaram-se para a tal caminhada sem uma boa causa.

Porque não aproveitar tal mobilização de pobres fanáticos torcedores para sensibilizar a população por alguma boa causa? Porque não convidar as mais de 30 mil pessoas para plantar 30 mil mudas de árvores em algum bonito local?
Porque não convidar os 30 mil colorados á doarem alimentos para alguma campanha de arrecadação para alguém mais pobre que eles?
Porque não convidar os 30 mil tocedores para num grande mutirão fazer uma limpeza nas paradas de ônibus da capital?
Porque não fazer uma mega doação de sangue vermelho?

Porque não engajar a torcida emprol de alguma atividade educativa, civilizada, engrandecedora.

Porque só caminhar sem nenhum motivo a não ser comemorar os 100 de um clube que arrecada o dinheiro dos pobres para sustentar times milionários?

Que saudade das marchas na abertura do Fórum Social Mundial, pela paz, todos de branco por um novo mundo. Era bonito.

Dá uma pena desse povo brasileiro que acha que futebol é importante.
Não consigo compreender esse fanatismo.

Antes do fim:
Parabéns ao marketing do Inter que soube muito bem aproveitar esse aniversário e faturar ainda mais com o povo. Todos os lugares e mídias mostraram as camisetas vermelhas pelas ruas. Top de Marketing para o Inter!

19413

quinta-feira, 26 de março de 2009

|O desaparecido|

Esses dias desapareceu um jogador do Grêmio. Saiu sem dar satisfação e quando encontrado também não deu satisfação. Acho curioso isso de as pessoas desaparecerem. Esses dias precisava contatar uma pessoa que era o contato de um trabalho e ela desapareceu. Cinco dias depois entrou em contato disse que o telefone dele andava tocando demais e desligou. Simples assim.

 

Hoje no Jornal do Comércio o colunista Fernando Albrecht escreveu o texto abaixo:

 

"...então você diz que vai na esquina e desaparece?"

 

Um dia, ele disse que ia na esquina comprar cigarro e desapareceu. Não é força de expressão ou sentido figurado. Ele disse exatamente isto:

- Vou ali na esquina comprar cigarro.

E ficou desaparecido por 10 anos. Há algum tempo, reapareceu. Bateu na porta, a mulher foi abrir, e lá estava ele, todo pimpão. Quieto, sem dizer uma palavra. A mulher despejou sua revolta em cima dele:

- Canalha! Então você diz que vai na esquina comprar cigarro e desaparece? Me abandona, abandona as crianças, fica dez anos sem dar notícia e ainda tem o desplante, a cara de pau, o acinte, a coragem de reaparecer deste jeito? Pois você vai me pagar. Fique sabendo que você vai ouvir poucas e boas. Essa eu não vou lhe perdoar nunca. Está ouvindo? Nunca!! Entre, mas prepare-se para..."

Nisso, o homem deu um tapa na testa, disse:

-         Putz! Esqueci os fósforos.